quarta-feira, janeiro 21

GESTÃO DE PESSOAS: Aprimorando Talentos




Esta história é muito conhecida mas a gente sempre tem alguma coisa a aprender com ela. O dia estava amanhecendo quando o agricultor saiu para semear, carregando seu embornal cheio de sementes. Enquanto ele andava, algumas sementes caíram pelo caminho. Seguiu então por um atalho cheio de pedras e, nesse trecho, outras sementes caíram no chão pedregoso. Mais adiante, ele passou por umas moitas de espinhos e sem querer derramou mais algumas sementes. Chegou finalmente ao terreno que ele tinha preparado para o plantio, onde cuidadosamente jogou sementes em todas as leiras. 


Todos sabem o que aconteceu com as sementes. As que caíram pelo caminho foram pisadas pelos passantes e depois foram comidas pelos pássaros. As que caíram nas pedras chegaram a brotar mas secaram por causa do sol forte e morreram. As que brotaram entre os espinhos também morreram, sufocadas. E as que foram colocadas em terra fértil frutificaram, rendendo ótima colheita.


O desenhista dos meus livros teve que trabalhar duro por causa dessa história. Eu queria que ele retratasse essas cenas sobre a cabeça de uma pessoa. Queria mostrar que o solo em que essas sementes caem é cada um de nós. Nossa mente, nosso coração, nossas atitudes, podem estar férteis ou cheios de pedra, quando recebem novas sementes, novas idéias, ou quando se deparam com novas situações. O desenho acabou ficando muito bom e, além de ilustrar o capítulo em que comento a parábola do semeador, a idéia foi capa do livro "Viabilizando talentos".


Beira do caminho, pedras, espinhos, terra fértil. Cada pessoa reage de modo diferente às vivências e às informações que recebe ao longo da vida. O bom proveito das oportunidades vai depender da terra fértil que tivermos dentro de nós.


O mundo de hoje é, para muitos, um pesadelo. Porque não há mais segurança no emprego, porque os cenários estão mudando muito rapidamente, porque não se pode mais descansar sobre as vitórias do passado. 


Para outros, é um desafio estimulante. Porque novas oportunidades surgem a cada momento, porque as transformações estão acontecendo rapidamente, porque temos sempre algo mais para aprender. 


Se pensarmos bem, sempre foi assim. Estimulante para uns, pesadelo para outros. Na revolução industrial, trabalhadores ingleses quebravam máquinas para evitar o desemprego. Hoje, a globalização e, novamente, a tecnologia (só que muito mais veloz) são vistas por muitos como grandes ameaças. Mas esses fenômenos não têm retorno. Não dá pra desinventar a informática, por exemplo, nem para fechar as fronteiras econômicas e culturais entre os países. 


Nesse tempo de grandes transformações, que estamos vivendo, é muito grande a responsabilidade social das empresas. Toda empresa quer aproveitar as vantagens tecnológicas que o mundo de hoje tem para oferecer, mas muitas esquecem que o seu maior patrimônio sempre será o ser humano, o conjunto das pessoas que ali trabalham. 


Somente o fator humano fará com que a empresa tenha capacidade de aprender e de se renovar constantemente. Essa é a condição mais importante para a sobrevivência de qualquer organização. 


Reconhecendo a importância do seu capital humano, a empresa saberá jogar semente em solo fértil. Saberá desenvolver o talento de cada um de seus colaboradores, para que cada um se realize podendo dar o melhor de si. Não adianta montar programas de treinamento para capacitação técnica e esquecer a capacitação "interior", a inteligência emocional, a motivação e a auto-estima.


"Empregabilidade" é uma palavra muito usada atualmente. Mas ela não pode ser um argumento frio para políticas de desemprego. Todos sabemos que o emprego estável está deixando de existir, e que uma boa carreira não se faz somente dentro de uma empresa mas sim no mercado de trabalho como um todo. No entanto, isso não pode ser visto somente como um problema do indivíduo. É também responsabilidade da empresa, lidar com o ser humano dedicando muita atenção à "empregabilidade" e à "trabalhabilidade".


Trabalhabilidade é estar apto e motivado para o trabalho, havendo ou não emprego. O trabalho, a capacidade de produzir, vem antes do emprego. Os valores estão mudando muito, no mundo profissional, e o indivíduo precisa perceber que ele trabalha para si, e não para seu patrão. Sua capacidade é mais importante do que seu emprego. 


Algumas pessoas ficam curiosas ao conhecerem meu endereço de correio eletrônico (talento@gretz.com.br). Por que escolhi a palavra "talento"? Neste momento de rápido avanço tecnológico em todos os ramos, mais do que nunca se valoriza a capacidade, o preparo profissional, o apuro técnico, a intuição, o conhecimento, todos os aspectos da inteligência do ser humano. O talento humano, em todas as suas dimensões, é a ferramenta mais decisiva para a competitividade da empresa e do País.


Por tudo isso, a cultura empresarial está passando por grandes transformações no que se refere ao gerenciamento de pessoas. A expressão "recursos humanos" tende a ser substituída por "mobilização de talentos" ou algo assim. Recurso é insumo, que se consome para se transformar em produto ou serviço. Gente não é um mero "recurso". Recurso tem custo, mas gente não é custo: gente é talento, é investimento estratégico. 


Continuar administrando o pessoal com base nos antigos paradigmas é como jogar semente em terreno cansado, que não dá mais frutos.




FONTE: RHPortal