segunda-feira, janeiro 19

Cibersegurança é um tema falho no Brasil, alertam especialistas

Depois das revelações de Edward Snowden ano passado sobre as espionagens realizadas pela Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês) no Brasil - tendo inclusive a presidente Dilma Rousseff como alvo -, a cibersegurança do País foi posta em cheque. Para especialistas no setor, a ausência histórica de investimentos do governo em atividades de inteligência tornam o Brasil cada vez mais vulnerável a ataques futuros.

"É um tema que está falho. Apesar de incluir mentes brilhantes com altíssima capacidade, a cibersegurança não tem como ser executada apropriadamente, pois o governo não dá a atenção devida. E não é culpa só desse governo. Historicamente, o Brasil não deu importância a área de inteligência", apontou Thiago de Aragão, sociólogo e analista da Arko Advice, empresa que trabalha com estratégia política. Ele palestrou nesta terça-feira (2), durante o seminário "O Brasil no mundo: deveres e responsabilidades", realizado na Câmara dos Deputados.

Segundo Aragão, é necessário que as atividades de inteligência, que incluem a cibersegurança, se tornem parte fundamental da agenda de prioridades do Brasil, contribuindo não apenas para a segurança, mas também em trazer dados que auxiliem na implementação das políticas públicas. "Inteligência é um trato sofisticado da coleta da informação, para ajudar a formar políticas, e não espionagem, como todos pensam. Se o Brasil não tem essa percepção, então é um problema de organização, categorização e planejamento."

Na avaliação do sociólogo, o primeiro passo é compreender o papel da inteligência e da cybersegurança na formulação das políticas domésticas e externas. "Acredito que temos que educar a todos em relação ao tema, para que sua importância se torne mais óbvia. Em seguida, fazer uma inserção delas na formação de políticas. Depois disso, o investimento virá naturalmente", concluiu.

Faltas

Segundo o ex-analista de Assuntos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), André Woloszyn, o governo ainda não entende quais interesses devem se tornar prioridades para atender o Estado. Também diplomado em Inteligência Estratégica, ele ressalta que não há um foco por parte dos gestores na utilização dos mecanismos que já temos a disposição.

"Falta um objetivo claro de Estado, uma estratégia para usar a inteligência e suas tecnologias. Enquanto não tivermos definidos o que queremos, para onde vamos, estaremos apenas apagando incêndios. Ou seja, sendo reativos, como no caso do Snowden, ao invés de pró-ativos", comentou Woloszyn.



FONTE: Agência Gestão CT&I

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