sexta-feira, dezembro 5

Marcas mudam tática para manter destaque nas redes

Bruno Abdo Maia, 35, consultor de marketing da Lu Make Up, uma rede de franquias de maquiagem de longa duração (micropigmentação da pele), calcula que, "sendo conservador", o número de pessoas que veem os posts da empresa no Facebook caiu 50% neste ano ante 2013.

"Se você quer resultado, tem que pagar", resume. Não se trata de uma exclusividade da companhia. Grandes marcas também observaram o fenômeno, que começou em 2012 e está se intensificando.

Os posts "orgânicos" de marcas, que não são pagos, têm sido menos vistos por usuários. Levantamento feito pela agência Social@Ogilvy indica que o alcance das publicações de marcas (o índice de fãs que as veem), caiu de 12,05% em outubro de 2013 para 6,15% em fevereiro.

Em "fanpages" com mais de 500 mil "curtidas", a taxa foi de 4% a 2,1% no período. Isso deve ficar ainda mais claro a partir de janeiro, quando entram em vigor novas regras. A rede social anunciou em meados deste mês que usuários vão ver menos posts de conteúdo comercial, do tipo "faça agora o download do aplicativo".

A justificativa da companhia capitaneada por Mark Zuckerberg é que as pessoas querem ver mais publicações de amigos e menos conteúdo comercial. Há também uma explicação "física": mais gente está entrando no site, postando e curtindo as páginas, o que faz com que o conteúdo compita pelo espaço.

Segundo a empresa, em média há 1.500 posts que poderiam aparecer quando o internauta entra no site. Apenas 300 são mostrados.

Com isso, o número de empresas que decidem pagar para garantir que uma audiência maior, ou mais específica, veja seus posts cresceu de 1 milhão para 1,5 milhão em um ano. Há 30 milhões de pequenos negócios no site -2 milhões deles no Brasil.

Eduardo Pugnali, gerente de inteligência de mercado do Sebrae-SP, diz que as mudanças reforçam a necessidade de se pensar no Facebook como uma importante ferramenta de divulgação, mas não a única. "Uma boa estratégia digital tem várias frentes: Facebook, Twitter, Instagram e buscas no Google."

Divulgação
Bruno Abdo Maia, consultor de marketing da Lu Make UP
Bruno Abdo Maia, consultor de marketing da Lu Make UP

A Lu Make Up, por exemplo, transformou o Instagram no carro-chefe de divulgação. A rede de maquiagem tem 22 mil seguidores no aplicativo e 100 mil no Facebook. Mas consegue mais ligações de orçamento pelo primeiro. Maia diz que os seguidores ali são mais interessados.

A verba de posts pagos no Facebook se limita, por exemplo, a anúncios locais, quando profissionais da companhia prestam atendimento em determinada cidade.

"Um dos pecados ao anunciar no Facebook é não atentar ao público que se quer atingir. Se você deixa amplo, impacta gente sem interesse na empresa -e paga por isso", diz Fábio Lima, fundador da agência AdResults.

André Siqueira, cofundador da agência Resultados Digitais, diz que, antes de usar ferramentas pagas, é preciso que o empresário faça testes e verifique quais tipos de posts têm mais visualizações, curtidas e comentários e geram mais tráfego para o site da companhia.

Isso evita, segundo ele, um dos erros mais comuns nesse tipo de ação, que é não mensurar resultados. "A pessoa coloca dinheiro, mas não sabe como está contribuindo para o negócio", afirma.

Lima recomenda focar em posts que já estão dando certo. Se a marca fez dez postagens, e três têm mais "curtidas", vale a pena pagar para impulsioná-las. Quanto melhor a publicação, menor o custo da visibilidade, diz.
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PARA SER VISTO NAS REDES SOCIAIS

USE VÍDEO A publicação de vídeos usando a própria plataforma do Facebook tem dado bons resultados. Um filme de até 3 minutos tem bom potencial para aparecer bastante

NÃO GASTE À TOA Quando for fazer publicações pagas, tenha algo relevante a contar: uma promoção ou um produto diferente. É melhor que seja algo que possa ter o resultado medido

ESCOLHA UM PÚBLICO A plataforma permite segmentar o público por sexo, localização, idade, empresa em que trabalha etc. Não gaste dinheiro falando com quem não interessa

TRACE UMA META O Facebook também ajuda a traçar a estratégia de divulgação. É possível escolher objetivos como "enviar pessoas para o seu site" ou "obter instalações para o seu aplicativo"

MEÇA OS RESULTADOS A ferramenta permite analisar quantas pessoas viram o anúncio, quantos clicaram etc. Fique atento a essas métricas e também aos dados de seu negócio, mesmo que ele não seja virtual. Até o dono de uma padaria pode perguntar se os clientes foram ao local por causa do Facebook .




FONTE: folha.uol