No ano passado, um artigo da Harvard Business Review escrito por Tom Davenport e D.J. Patil, elegeu a carreira de cientista de dados como “a profissão mais sexy do século 21″. Um ano se passou e, segundo recente publicação dos autores, a profissão continua com esse posto. Acreditava-se que esse título ajudaria a impulsionar a criação de novos talentos no campo, já que carência de cientistas de dados atualmente é um grande problema e fica maior a cada dia. O desafio pela frente, contudo, ainda é grande para as empresas.
O papel do cientista de dados mudou dramaticamente. Os dados eram restritos às operações, o que geralmente é importante, mas raramente vital – uma tarefa reservada para os mais geeks dos geeks. Os dados apoiavam todas as funções, entretanto, nunca pareciam gerenciá-las.
Esse cenário mudou. Hoje, o cientista de dados é responsável pela captação, classificação e anotação de dados – uma responsabilidade anteriormente secundária na maioria dos ambientes – e foi colocado no front. Em indústrias que vão desde marketing, serviços financeiros a telecomunicações, não basta aos cientistas de dados de hoje somente processar números. Eles são responsáveis por enxergar o universo como um grande conjunto de dados e decifrar relações em meio a uma massa de informações. As análises que desenvolvem são, então, utilizadas para orientar decisões, prever resultados e desenvolver um ROI quantitativo.
Os dados que antes costumavam ser utilizados para dar suporte ao instinto e à intuição agora são fundamentais para empresas saberem como uma campanha de marketing está se saindo, quais novos mercados têm mais potencial e quais são os consumidores com melhores perspectivas de crescimento. Os dados são os roteiros para a tomada de decisões, e especialistas que souberem navegar nesse mundo terão sucesso.
Mas aqui está a melhor parte das ciências dos dados: por não se tratar de uma disciplina unidimensional, os cientistas de dados podem surgir de praticamente qualquer campo. Um bom cientista de dados é alguém que tem as ferramentas certas (matemática, programação, pensamento crítico), é autossuficiente (não precisa de alguém para implementar suas ideias) e tem interesse em compreender o contexto em que as habilidades podem ser aplicadas. Isto é o que o mercado procura.
Um biólogo marinho com PhD pode ter um bom conhecimento de metodologias quantitativas e qualitativas de pesquisa, e essas habilidades atendem perfeitamente às necessidades de muitas empresas que buscam extrair dados de inteligência — e eles podem ser usados para direcionar a tomada de atitudes. Estatísticos especializados em esportes podem aproveitar uma paixão e aplicá-la na resolução de problemas corporativos. Muitos desses profissionais, provavelmente, nem sequer pensam em si mesmos como cientistas de dados. Mas deveriam. O principal motivo é que há uma grande necessidade no mercado.
Um mercado de big data com diversas aplicações está crescendo. O Gartner estima que haverá 4,4 milhões de postos de trabalho para apoiar a análise de dados apenas nos próximos dois anos. Por enquanto, a maioria desses empregos será oferecida nos Estados Unidos, país à frente no uso de tecnologias de big data. No entanto, deve-se observar que cada um desses empregos irá levar a outros três e a evolução desse campo só vai ajudar a transformar o mercado de trabalho ao redor.
Contudo, é evidente que isso ainda não está acontecendo. Contrariando a boa notícia, o Gartner também prevê um surpreendente déficit de cientista dados. Existem candidatos qualificados suficientes para preencher apenas um terço dessas posições. Em outras palavras, apesar da importância da posição de cientista de dados, essa função está prestes a se tornar uma commodity escassa e valiosa.
É por isso que os decisores das empresas, especialmente da área de tecnologia e negócios, devem reorientar a sua atenção para instituições que deixaram para trás há muito tempo: ensino fundamental e médio. É aí que começa o problema, e isso tem a ver com quatro disciplinas: ciências, tecnologia, engenharia e matemática. O setor privado precisa financiar iniciativas que trazem jovens promessas dessas áreas ao diversos locais de trabalho, para mostrar-lhes como o mundo real usa informações geradas por pessoas e demonstrar como aplicar os interesses dos negócios, como por exemplo, através da visualização de dados.
As deficiências na educação atual terão um efeito paralisante sobre o mercado de trabalho de amanhã, e por isso esse assunto é tão importante. A chamada “profissão mais sexy do século” não vai desaparecer em breve. Os cientistas de dados vão liderar o caminho para inovação e o crescimento econômico nos próximos anos, mas teremos que ajudar a desenvolver a próxima geração.
FONTE: informationweek.itweb
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