Mostrando postagens com marcador CARREIRA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CARREIRA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, agosto 12

As regras de trabalho que mais irritam os funcionários


Ambiente de trabalho rígido pode levar bons profissionais a pedir demissão

O ambiente de trabalho é cheio de regras que precisam ser obedecidas, muitas delas fruto do bom-senso, mas existem determinados padrões que às vezes são desnecessários ou que irritam profundamente os empregados.
Há casos de regras que irritam tanto que acabam fazendo com que funcionários desistam de trabalhar no lugar. A BBC conversou com dois especialistas no assunto para identificar as piores "regras tolas" e para saber como se deve lidar com cada situação.

LIZ RYAN, DA HUMAN WORKPLACE

A executiva americana fundou a consultoria Human Workplace, que estuda o ambiente de trabalho e dá dicas a empresas sobre como tratar os funcionários. Ela elencou algumas políticas que irritam os funcionários a ponto de fazê-los se demitirem:
HORÁRIO DE CHEGADA CONTROLADO. Pessoas que recebem salários não precisam de políticas de horário controlado para chegar no trabalho, argumenta Ryan. Grande parte dos chefes faz cara feia para quem chega dez minutos atrasado, mas ignora que os seus funcionários estão ficando uma hora a mais no fim do expediente.
REGRAS SOBRE ROUPAS. "Nós costumamos criar políticas sobre roupas a serem usadas porque como chefes morremos de medo de ter que falar cara a cara com alguém sobre a roupa excessivamente informal que usam para trabalhar", diz ela. "Mas somos administradores e essas situações pouco confortáveis são parte da nossa função. É melhor se livrar de regras escritas sobre roupas e simplesmente falar diretamente que os funcionários precisam se vestir profissionalmente."
CURVA FORÇADA DE DESEMPENHO. Uma tática usada por muitos chefes é de classificar o desempenho em um gráfico cujo formato se assemelha a um sino. Na ponta da esquerda estão os poucos funcionários com pior desempenho; na ponta da direita, os poucos com ótimo desempenho; e no meio está a grande maioria que está "na média". O objetivo da tática é estimular a competição. Mas Ryan diz que esse tipo de classificação só desmoraliza os chefes, pois dá a entender que eles não sabem contratar direito.
APROVAÇÃO NECESSÁRIA. É de se entender que grandes orçamentos sempre precisem passar pelo crivo de alguém com mais competência na empresa. "Mas será que é preciso conseguir aprovação do chefe só para trocar o crachá defeituoso? Mais burocracia só reduz o ritmo da empresa", diz Ryan.
POLÍTICA DE MILHAGEM DE VOOS. Viagem a trabalho é sempre um ônus para o funcionário, que precisa deixar sua vida pessoal de lado. Ryan acredita que os pontos acumulados em programas de milhagem de companhias aéreas devem ser dadas ao funcionário, e não à empresa. "Qualquer empresa sovina o suficiente para roubar de seu funcionário as suas milhas não é um empregador que está disposto a investir em você."

JOHN NEARY, DA CARITE

O executivo da empresa de concessionárias americana de carros CARite, John Neary, tem experiência administrando gerentes e funcionários. Ele dá três dicas para evitar que os empregados se sintam oprimidos por regras desnecessárias.
"ESTOU CONTRIBUINDO." As pessoas precisam sempre estar cientes de qual é a missão da empresa, e de preferência elas devem concordar e se inspirar com essa missão. "Quando elas entendem claramente qual é o seu papel em cumprir essa missão, elas reagem de forma positiva", diz Neary.
"ESTOU CRESCENDO." Quando as pessoas em vários níveis têm oportunidades de subir na carreira, seja com treinamentos ou tentando coisas novas, elas reagem de forma positiva. Neary também recomenda que chefes permitam que seus funcionários cometam pequenos erros, para poderem ter a sensação de que estão aprendendo.
"ESTOU CONECTADO." "A confiança mútua entre empregador e empregado é importante", escreve Neary. "As pessoas se sentem mais felizes se acreditam que são parte de uma família coesa e confiável."


FONTE: BBC

terça-feira, agosto 11

Jovens brasileiros querem empreender, mas não se preparam para isso, aponta pesquisa

Estudo Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras também indica que quase 6 em cada 10 universitários pensam em empreender, mas poucos pensam em inovar e ter muitos funcionários


Reprodução/ Endeavor Brasil
Mais de 5 mil alunos e mais de 600 professores de todo o Brasil participaram da pesquisa

Romero, assim como a maioria dos universitários, também queria empreender já na época da faculdade: “Desde o primeiro dia (da faculdade), eu comecei a encontrar pessoas que dividiam essa paixão comigo”. Ele então começou um negócio junto com seus colegas de turma, Rodrigo e Ronaldo. Depois de quatro tentativas malsucedidas, o trio começou a colher resultados de uma nova empreitada, que tinha foco no mercado de e-commerce, ainda pequeno no ano de 1998. Depois de 5 anos de muito suor e desafios, a empresa, que tinha começado com apenas três pessoas, já contava com cerca de 120 funcionários. O Buscapé, empresa fundada por Romero Rodrigues e seus dois colegas de faculdade, hoje conta com 1,7 mil funcionários em todos os seus sites e é o líder global em comparação de preços.
Apesar de a maioria dos universitários brasileiros ter a vontade de empreender como a de Romero, poucos deles estão pensando em ter empresas que cresçam rápido em poucos anos, como o Buscapé. Entre os 58% dos universitários entrevistados que indicaram pensar em empreender no futuro, apenas 11% esperam que suas empresas tenham mais de 25 funcionários cinco anos após a abertura. Mesmo entre outros 11% dos pesquisados, que já são empreendedores, o sonho de ter um negócio que cresça rápido também está longe de ser uma unanimidade: apenas 17,4% esperam alcançar esse resultado.
Esses e outros números fazem parte da pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras, feita pela Endeavor e pelo Sebrae. Os resultados do estudo foram divididos em quatro relatórios, que podem ser acessados gratuitamente aqui. Em sua terceira edição, mais de 5 mil alunos e mais de 600 professores de todo o Brasil participaram da pesquisa, que contém resultados quantitativos e qualitativos.
A pesquisa também aponta que alunos que consideram suas ideias de negócio mais inovadoras têm expectativa de criar empresas maiores, se comparados com a média da pesquisa. Entre os empreendedores que não consideram suas empresas inovadoras, 21,4% acreditam que sua empresa terá mais de 10 funcionários em 5 anos, número que atinge 47,6% entre aqueles que acreditam que inovam.


MUITO SONHO E POUCA PREPARAÇÃO

O fato de a maioria dos universitários não sonhar com grandes negócios não é o único resultado que deixa a desejar. A maioria dos alunos pesquisados também não se prepara para empreender. Apenas 14,1% dos pesquisados indicam que gastam tempo aprendendo a iniciar um novo negócio. Mesmo entre os alunos que “pensam muito em empreender”, apenas 22,6% disseram ter a mesma dedicação para começar a empreender.
Essa falta de prática para empreender também pode ter impacto nos resultados sobre a confiança dos alunos para realizarem atividades típicas de um empreendedor, como contratar, gerir as finanças ou definir uma estratégia para um novo produto. Entre os alunos que apontam baixa dedicação para empreender, apenas 20% se sentem muito confiantes para abrir um negócio. Entre os que dizem se dedicar, esse número dobra: cerca de 40% se sentem muito confiantes. “Se tivermos mais universidades e professores que estimulem seus alunos a inovar, a se preparar e a sonhar grande, com certeza o Brasil poderá ter no futuro muito mais grandes histórias como a do Romero”, afirma Pamella Gonçalves, Gerente de Pesquisa da Endeavor.


Conteúdo Endeavor Brasil gentilmente cedido ao Administradores.com.

segunda-feira, agosto 10

O poder do planejamento positivo

Precisamos de um foco negativo para sobreviver, mas de um positivo para prosperar




Se tudo funcionar perfeitamente na sua vida, o que você estará fazendo daqui a dez anos?
Essa pergunta nos convida a considerar o que realmente importa para nós, e como isso pode guiar nossas vidas. Seguir esse exercício simples encoraja a abertura para novas possibilidades.
“Falar sobre seus objetivos positivos ativa centros no cérebro que tornam as pessoas suscetíveis a novas possibilidades. Mas se mudar o tom da conversa para o que você deveria fazer para se consertar, isso fecha você”, diz Richard Boyatzis, psicólogo na Escola de Gestão da Weatherhead da Universidade Case Western Reserve.
Sua pesquisa explorou esses efeitos contrastantes no coaching. Boyatzis e seus colegas escanearam os cérebros de estudantes universitários enquanto eles eram entrevistados. Para alguns, a entrevista focou em pontos positivos: o que eles amariam fazer em dez anos e o que eles esperavam ganhar dos seus anos na Universidade. Os scanners cerebrais revelaram que durante as entrevistas focadas em pontos positivos havia uma maior atividade nos circuitos de recompensa do cérebro e áreas que trazem sensação de bem-estar e memórias felizes. Pense nisso como uma assinatura neural da abertura que sentimos quando estamos inspirados por uma visão.
Para outros, o foco foi mais negativo: o quão exigentes eles consideram seus horários e tarefas, dificuldades em fazer amigos e receios acerca da sua performance. À medida em que os estudantes enfrentavam questões mais negativas, seus cérebros ativaram áreas que geravam ansiedade, conflito mental e tristeza.
Focar nos pontos fortes, argumenta Boyatzis, nos conduz em direção a um futuro desejado e estimula a abertura a novas ideias, pessoas e planos. Em contraste, a ênfase nas fraquezas provoca um senso defensivo de obrigação e culpa, tornando-nos fechados.
Um olhar positivo mantém a alegria em praticar e aprender — a razão pela qual atletas e músicos experientes continuam exercendo seu ofício. “Precisamos de um foco negativo para sobreviver, mas de um positivo para prosperar”, afirma Boyatzis.
Boyatzis explica que essa positividade também se aplica ao coaching — seja por um professor, pai, chefe ou coach executivo. Um diálogo que começa com as esperanças de uma pessoa pode resultar em uma alegre troca, uma que apoia aquela visão. Tal diálogo pode extrair alguns objetivos concretos da visão geral, estimar o que é necessário para atingir esses objetivos e determinar que capacidades necessitam ser melhoradas para chegar lá.
Para entender quão bem esse processo funciona, Boyatzis faz avaliações sistemáticas daqueles que passam pelo seu curso. Colegas de trabalho anonimamente classificam os estudantes em comportamentos específicos que demonstram uma ou mais das competências de inteligência emocional típicas de pessoas com alto desempenho (por exemplo: “compreende os outros ouvindo ativamente”). Então Boyatzis rastreia os estudantes anos depois, e eles são novamente classificados pelos seus atuais colegas.
“No momento, temos prontos 26 estudos longitudinais separados”, disse-me Boyatzis. “Descobrimos que as melhorias que os estudantes promovem na primeira rodada duram até sete anos depois”.

Leituras adicionais

Essa aula magna ministrada por Richard Boyatzis (co-autor de Primal Leadership e diretor de desenvolvimento organizacional na Escola de Gestão da Weatherhead School) oferece as ferramentas para que você se torne o líder que deseja ser — incluindo exercícios para reavaliar técnicas efetivas e mensuráveis.

O vídeo, dividido em uma coleção com oito partes, inclui mais de oito horas de resultados de pesquisas, estudos de caso e experiência industrial através de entrevistas em profundidade com respeitados líderes em gestão executiva, pesquisa organizacional, psicologia no local de trabalho, negociação e contratação de profissionais de alto nível. Licenciamento corporativo e educacional disponível.

Uma compilação de meus artigos na Harvard Business Review e escritos de outras revistas de negócios em um só volume. Esse material, efetivo e frequentemente citado, se tornou leitura essencial para líderes, coaches e educadores comprometidos em fomentar gestão de grandes resultados, aumentando a performance e conduzindo a inovação.

‘Focus’ desvela a ciência da atenção em todas as suas variedades — apresentando um olhar sem precedentes a esse ativo já demasiadamente estudado e subestimado, e por que ele é tão importante para a maneira como nos sentimos e temos sucesso na vida.


Texto publicado originalmente no perfil do autor no LinkedIn e cedido gentilmente ao Administradores.com


FONTE: administradores

segunda-feira, junho 29

Quatro dicas e quatro 'micos' para profissionais que usam redes sociais



Plataformas como Twitter, Facebook e Instagram são centro de notícia, ativismo e consumo

"Você usa o Twitter?" era uma pergunta inofensiva que fiz a um executivo de uma multinacional durante um jantar, há alguns anos. Ele ficou incrédulo com minha questão tola. Twitter é coisa para "os meus netos" e "não para mim", ele respondeu.
Não pude resistir. Tirei meu telefone e digitei o nome da empresa dele no Twitter - e fomos inundados com resultados da pesquisa. Em seguida, botei o nome dele - o que o deixou ainda mais apavorado com tudo que viu.
Na sua cabeça, já que ele não estava no Twitter, isso significava que ninguém ali teria interesse nele.
Muitos executivos ainda não percebem que no mundo dos negócios de hoje é preciso entender e participar de alguma forma - mesmo que mínima - de redes sociais. Plataformas como Twitter, Facebook, LinkedIn ou Instagram são hoje o centro das notícias, opinião, ativismo, consumo e muito mais.
Como integrante de vários conselhos de administração de empresas e entusiasta de tecnologias, as redes sociais viraram uma extensão essencial do meu trabalho. Uso o Twitter atrás de notícias e o Facebook para me manter em contato com amigos. O LinkedIn me ajuda a acompanhar colegas e pessoas em quem me interesso profissionalmente. O Instagram é uma forma visual de compartilhar experiências. Já o Pintrest ainda me intriga bastante.
Hoje em dia, "headhunters", que trabalham no recrutamento de bons profissionais, procuram pessoas que tenham desenvoltura para vagas de trabalho importantes. Executivos que usam essas ferramentas são vistos como mais acessíveis e comunicativos - em vez de pessoas ocultas atrás de portas fechadas.
Mas é importante seguir algumas etiquetas. Essas são as regras básicas que eu acho importante:

FAÇA:

  • Envie e receba: Redes sociais são plataformas para interação e aprendizagem. Se você está apenas no modo "enviar" - só transmitindo aos outros o que você quer dizer - você está perdendo uma parcela valiosa da rede. Ligar também o modo "receber" - ao ouvir e interagir com os demais - é bem mais frutífero.
  • Seja autêntico: Se tiver sem tempo, é melhor compartilhar um só post escrito por você mesmo do que ficar repassando vários feitos por outras pessoas. As pessoas sabem identificar se você está só copiando outra.
  • Leia antes de publicar: Já perdi a conta de mensagens minhas com erro de digitação ou grafia, ou coisas que publiquei, quando na verdade achei que estava enviando como mensagem privada. Também, como faço com e-mail, procuro evitar usar redes sociais quando estou irritada. Lembre-se: quando uma coisa é publicada, ela fica lá "para sempre" - especialmente agora que a Biblioteca do Congresso americano começou a arquivar todos os tuítes.
  • Conheça a etiqueta de cada plataforma: É importante entender a linguagem e os costumes de cada rede. No Twitter, nunca repita o que outra pessoa falou sem citá-la. No LinkedIn é bom fazer avaliações e críticas, mas lembre-se que está lidando com a reputação profissional de uma pessoa ou empresa. Se você tiver desavenças, tente ser respeitoso.

NÃO FAÇA:

  • Não ache que tem direito à privacidade na rede social: As mídias sociais são lugares públicos. Não escreva nada que você não gostaria de ver publicado em um jornal. Eu própria passei por isso recentemente. Mesmo que sua conta seja fechada apenas para seu círculo de amigos, há sempre o risco de que alguém ali compartilhe suas opiniões, fotos e conversas.
  • Não dê informações confidenciais: é surpreendente saber o que jornalistas, investidores ou competidores conseguem aprender, só olhando suas fotos ou "status" de Facebook. Qualquer foto que publico nunca mostra nenhum documento importante. Também muito cuidado ao se comunicar com colegas na rede.
  • Não compartilhe textos que não leu ou que podem ser falsos: cuidado para não retuitar boatos ou notícias que não foram apuradas com cuidado. Leia tudo que você publicar até o fim. Não esqueça que investidores, parceiros e empregados estão vendo.
  • Não agende tuítes e compartilhamentos para depois: É tentador agendar posts para os momentos em que você acha que mais pessoas vão ler, mas também há um perigo nisso. Caso alguma catástrofe aconteça, seu tuíte pode ficar completamente irrelevante ou até soar insensível.
O que aconteceu com aquele executivo que encontrei alguns anos? Hoje em dia ele tem uma conta no Twitter - que ele usa para ficar de olho em tudo que acontece na sua indústria. Ele também está no LinkedIn e no Facebook - que, segundo ele, acabou se revelando uma ótima forma de se manter em contato com os netos.


FONTE: BBC

Empreendedorismo nas Universidades: vontade é grande, mas sonho é pequeno

Pesquisa indica que quase 6 em cada 10 universitários pensam em empreender, mas poucos pensam em inovar e ter muitos funcionários


Romero, assim como a maioria dos universitários, também queria empreender já na época da faculdade: “Desde o primeiro dia (da faculdade), eu comecei a encontrar pessoas que dividiam essa paixão comigo”. Ele então começou um negócio junto com seus colegas de turma, Rodrigo e Ronaldo. Depois de quatro tentativas malsucedidas, o trio começou a colher resultados de uma nova empreitada, que tinha foco no mercado de e-commerce, ainda pequeno no ano de 1998.
Depois de 5 anos de muito suor e desafios, a empresa, que tinha começado com apenas três pessoas, já contava com cerca de 120 funcionários. O Buscapé, empresa fundada por Romero Rodrigues e seus dois colegas de faculdade, hoje conta com 1,7 mil funcionários em todos os seus sites e é o líder global em comparação de preços.
Apesar da maioria dos universitários brasileiros ter a vontade de empreender como a de Romero, poucos deles estão pensando em ter empresas que cresçam rápido em poucos anos, como o Buscapé. Entre os 58% dos universitários entrevistados que indicaram pensar em empreender no futuro, apenas 11% esperam que suas empresas tenham mais de 25 funcionários cinco anos após a abertura. Mesmo entre outros 11% dos pesquisados, que já são empreendedores, o sonho de ter um negócio que cresça rápido também está longe de ser uma unanimidade: apenas 17,4% esperam alcançar esse resultado.
Esses e outros números fazem parte da pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras, feita pela Endeavor e pelo Sebrae. Os resultados do estudo foram divididos em quatro relatórios, que podem ser acessados gratuitamente aqui. Em sua terceira edição, mais de 5 mil alunos e mais de 600 professores de todo o Brasil participaram da pesquisa, que contém resultados quantitativos e qualitativos.
A pesquisa também aponta que alunos que consideram suas ideias de negócio mais inovadoras têm expectativa de criar empresas maiores, se comparados com a média da pesquisa. Entre os empreendedores que não consideram suas empresas inovadoras, 21,4% acreditam que sua empresa terá mais de 10 funcionários em 5 anos, número que atinge 47,6% entre aqueles que acreditam que inovam.
Muito sonho e pouca preparação
O fato da maioria dos universitários não sonhar com grandes negócios não é o único resultado que deixa a desejar. A maioria dos alunos pesquisados também não se prepara para empreender. Apenas 14,1% dos pesquisados indicam que gastam tempo aprendendo a iniciar um novo negócio. Mesmo entre os alunos que “pensam muito em empreender”, apenas 22,6% disseram ter a mesma dedicação para começar a empreender.
Essa falta de prática para empreender também pode ter impacto nos resultados sobre a confiança dos alunos para realizarem atividades típicas de um empreendedor, como contratar, gerir as finanças ou definir uma estratégia para um novo produto. Entre os alunos que apontam baixa dedicação para empreender, apenas 20% se sentem muito confiantes para abrir um negócio. Entre os que dizem se dedicar, esse número dobra: cerca de 40% se sentem muito confiantes. “Se tivermos mais universidades e professores que estimulem seus alunos a inovar, a se preparar e a sonhar grande, com certeza o Brasil poderá ter no futuro muito mais grandes histórias como a do Romero”, afirma Pamella Gonçalves, Gerente de Pesquisa da Endeavor.




Artigo publicado originalmente no site da Endeavor Brasil e cedido gentilmente ao Administradores.com

Como causar uma boa impressão na entrevista de emprego

Boas qualificações profissionais não são a única forma de impressionar recrutadores nos processos seletivos. Demonstrar interesse na empresa e autocrítica na medida certa podem garantir pontos extras na 

entrevista de emprego

Entrevista de emprego
A entrevista pode ser a última etapa de um disputado processo seletivo (Getty Images)
Estar bem preparado é o primeiro passo para controlar a ansiedade e o nervosismo do candidato às vésperas de uma entrevista de emprego. Afinal, esta etapa da seleção pode ser o último obstáculo antes de o profissional alcançar um salário maior, dar um salto na carreira ou concretizar um sonho. "O candidato tem entre uma hora e uma hora e meia, que é o tempo médio de uma entrevista de emprego, para convencer o selecionador de que é o profissional mais capacitado para o cargo", diz Mariana Schwarz, gerente de marketing da consultoria Hays.
Veja cinco dicas dos especialistas em recrutamento e seleção para impressionar bem na entrevista de emprego: 
1 de 5

Banque o detetive


Os especialistas são unânimes: dados financeiros, histórico da empresa, posição no mercado e número de funcionários são informações que se devem ter na ponta da língua na véspera de uma entrevista, independente do cargo, do nível e da área de atuação. Vale captar informações no site da empresa, na imprensa e nas redes sociais. Além de se sair bem ao ser questionado sobre a companhia, o candidato bem preparado não formula perguntas ingênuas, que revelam falta de conhecimento e interesse na empresa






Fontes: empresas de recrutamento e seleção Michael Page, Robert Half, Hays e ManpowerGroup Brasil

terça-feira, junho 23

Será que funciona? Equipe bem treinada + diálogo = missão cumprida com sucesso

Equipe bem treinada + diálogo = missão cumprida com sucesso



Imagine a seguinte situação: você lidera uma equipe ou recebe uma missão muito importante. A tarefa exige uma dedicação adicional e não será possível atingir o alvo sem a ajuda de seus colegas de trabalho. Mas, ao mesmo tempo, você precisa participar de outro evento e se ausentar do escritório. Aí vem aquela terrível indagação: “Será que tudo vai caminhar bem durante o período em que eu estiver fora?”
Aposto que alguma vez na vida você já teve essa atitude, não é mesmo? Conversando com um amigo ouvi um comparativo muito interessante sobre esse cenário: síndrome da ausência. É quando você precisa delegar funções mas não confia o bastante ou fica com a pulga atrás da orelha sobre cada processo a ser executado sem a sua vigilância.
Concordo que o navio desbrava os mares sob a liderança do capitão mas em certos momentos os marinheiros recebem autonomia para assumir algumas tarefas. Essa ação faz parte, inclusive, da formação de novos e futuros líderes.
Se você não confia o bastante precisa pensar a respeito: ou a equipe não está bem treinada ou o ato de delegar funções precisa ser revisto. Ninguém consegue “equilibrar todos os pratos” ao mesmo tempo. Mesmo que insista algum irá cair mais cedo ou mais tarde.
O relato de hoje não abrange apenas o ambiente de trabalho. Pode acontecer dentro de casa, na universidade ou até mesmo em atividades de entretenimento. O escritor Stephen R. Covey em seu livro O Líder em Mim diz que “toda cultura tende a desenvolver um conjunto de tradições.” Sei que não é fácil quebrar rotinas mas pode ser que seja necessário, principalmente para sua saúde emocional.
Pense nisso: equipe bem treinada + diálogo = missão cumprida com sucesso!


FONTE: administradores

A morte do ‘curriculum vitae’

As regras do jogo profissional mudaram. É preciso mudar de mentalidade




Este artigo foi escrito para quem está desempregado neste exato momento. Para quem sofre de frustração e impotência ao verificar que não encontra um emprego. Para quem há algum tempo sente que enviar currículos se transformou em uma perda de tempo. E, definitivamente, para quem deixou de ter medo de se reinventar profissionalmente porque já não tem nada a perder. Para todos vocês, descrevemos a seguir um percurso de nove etapas. Cada uma delas representa um caminho que o leitor deverá percorrer por conta própria. Boa viagem.
Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou
Albert Einstein
1. Tome as rédeas de sua vida profissional. A crise explicitou a necessidade de transformação do modelo produtivo que rege nosso sistema econômico. Coube a nós viver o fim da era industrial e o início da era do conhecimento. As regras do jogo profissional mudaram e continuarão mudando, cada vez mais depressa. As instituições estabelecidas já não têm a capacidade de garantir segurança econômica para os cidadãos. Os contratos de trabalho por tempo indeterminado estão diminuindo. E para muitos chegou a hora de encarregar-se pessoalmente do trabalho. E de realizar uma função profissional útil, criativa e que faça sentido, que de preferência não possa ser automatizada e digitalizada pelas novas tecnologias, tampouco ser terceirizada para um país em desenvolvimento.

2. Cultive a inteligência emocional. Estar desempregado é uma situação profissional muito complicada de lidar. No entanto, para conseguir iniciar um processo de mudança, é importante não nos deixar levar pela reclamação, pela vitimização ou pela culpa, pois com isso só conseguiremos consumir a energia vital de que necessitamos para buscar novas soluções e alternativas. É fundamental investir tempo em nos conhecer em profundidade, aprendendo a cuidar da nossa autoestima e a cultivar a confiança em nós mesmos. Na medida em que desenvolvemos nossas fortalezas internas, começamos a enfrentar a adversidade de forma mais responsável, otimista e eficiente. E, à base de treinamento, verificamos que nosso grau de satisfação não tem tanto a ver com nossas circunstâncias, mas com a atitude que tomamos diante delas.


3. Treine a inteligência financeira. Em geral, as crenças sobre o dinheiro passam de geração em geração por inércia, sem nos darmos conta. Do mesmo modo que não escolhemos nosso time de futebol, nossa visão profissional e financeira do mundo foi pré-fabricada; é item de série. Não nos ensinaram a resolver nossos próprios problemas econômicos sozinhos. Cultivar nossa inteligência financeira nos capacita a fazer orçamentos, dando-nos a oportunidade de gerar excedentes para economizar, investir e não depender de empréstimos ou dívidas. Também nos mostra como ganhar mais e gastar menos, emancipando-nos das instituições estabelecidas.

4. Descubra seu propósito profissional. Em vez de fazer o que se diz que temos de fazer (buscar saídas profissionais), é hora de encontrar nosso verdadeiro propósito. E para isso é essencial escolher um caminho profissional que faça sentido para nós. Para além dos motivos típicos que nos movem a trabalhar (dinheiro, poder, segurança, comodidade ou reconhecimento), temos de nos conectar com uma motivação intrínseca que nos permita conceber nossa profissão de forma mais vocacional. Para isso, temos de redefinir nosso conceito de sucesso, assim como os valores que queremos que guiem nossas decisões e ações. O que faríamos profissionalmente se não tivéssemos de ganhar dinheiro? A que nos dedicaríamos se soubéssemos que tudo vai dar certo? O que faríamos se não tivéssemos medo? Saber a resposta dessas perguntas não tem preço.

Renovação

Ilustración de João Fazenda

1. LIVRO
O elemento-chave, de Ken Robinson. Ediouro.
Um ensaio que questiona o sistema educacional industrial contemporâneo.

2. FILME
Em busca da felicidade, de Gabriele Muccino
A odisseia de um pai com um filho de cinco anos que luta para tornar realidade o sonho de prosperar profissionalmente.

3. MÚSICA
Hopeless emptyness, de Thomas Newman
Da trilha sonora do filme Foi apenas um sonho, de Sam Mendes, na qual Leonardo DiCaprio interpreta um homem que não acredita em seu trabalho, mas cujo medo o impede de iniciar um processo de reinvenção profissional.

5. Decida seu papel profissional. Cerca de 85% dos profissionais espanhóis trabalham como “funcionários”, vendendo seu tempo em troca de um salário no fim do mês, e fazendo parte de um sistema produtivo que enriquece outras pessoas. Mas além desse papel profissional existe o de “empreendedor”. Ou seja, aquele que trabalha para si mesmo como autônomo ou freelancer, ou que monta um projeto e contrata outras pessoas. Cada um conta com uma série de vantagens e desvantagens, exige um tipo de mentalidade específico e é acompanhado de um determinado estilo de vida. É por isso que passar de funcionário a empreendedor implica em uma mudança profunda na forma de se relacionar com o mercado de trabalho. E como a segurança profissional está na berlinda, é uma questão de escolher entre a incerteza do funcionário e a incerteza do empreendedor.

6. Faça algo que o apaixone e que potencialize seu talento. Apesar de termos sempre ouvido que “não podemos ganhar o pão fazendo o que gostamos”, na hora de se reinventar é fundamental nos dedicarmos a uma profissão que nos motive e interesse de verdade. Só assim encontraremos a força e a dedicação para dar o melhor de nós, potencializando nossas virtudes e habilidades. Todos temos algum tipo de talento a descobrir e desenvolver. Em essência, o talento é a forma pela qual expressamos nosso valor. Isso sim, os dons que são necessários para realizar as novas funções profissionais não têm nada a ver com a educação industrial ou as aptidões acadêmicas convencionais. Em vez disso, surgem quando nos comprometemos com nosso processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Quando mais nos conhecemos, mais nos valorizamos por sermos quem somos. E quanto mais nos valorizamos, mais sabemos para que servimos e como podemos ser úteis para a sociedade.

7. Encontre um problema social que o motive a resolver. As pessoas estão dispostas a pagar por produtos e serviços que atendam às suas necessidades e satisfaçam suas aspirações. O desafio está em saber que problemas podemos resolver fazendo o que gostamos usando nossos talentos. Também é importante criar “propostas de valor” que melhorem a qualidade de vida de outras pessoas. Ao mesmo tempo, é fundamental conhecer as últimas aplicações e ferramentas digitais que podemos empregar na Internet, concebendo assim novas formas de agregar valor ao mercado profissional.
Não permita que ninguém jamais diga quanto você vale. Você é o único capaz de saber seu próprio valor
Muhammad Ali
8. Invista em formações específicas. Nesse ponto do caminho pode ser decisivo assistir a seminários que nos ensinem a “saber como” e a “ter com que” expressar nosso talento. Nesse sentido, a universidade convencional parece estar deixando de ser a única opção. Quanto do que estudamos nos foi realmente útil para desempenhar nosso trabalho atual? A nova formação será cada vez mais focada em oferecer cursos práticos que nos ensinem a desenvolver habilidades que nos permitam resolver problemas concretos. O investimento mais importante tem de ser feito em nós mesmos. Nossa inteligência, nossa criatividade e nosso talento são nossa principal fonte de riqueza.

9. Desenvolva sua marca pessoal. O marketing está se democratizando e se personalizando. E cada vez mais será protagonizado pela “marca pessoal”. Uma vez que temos claro o que oferecemos, o desafio é descobrir como oferecer. Ou seja, a maneira como nos comunicamos e conectamos com as pessoas a quem nossos serviços podem servir. É primordial montar uma página na web explicando os benefícios e soluções que oferecemos, utilizando as redes sociais para nos apresentar a nossos potenciais clientes. Por meio de nossa marca pessoal conseguimos que nossa profissão seja um reflexo da pessoa que somos, aprendendo a ganhar dinheiro como resultado de criar riqueza para a sociedade.





FONTE: elpais

segunda-feira, junho 22

‘Mindfulness': a atenção plena é ideal para combater as distrações

Ser plenamente consciente do que está ocorrendo aqui e agora é um desafio na era digital



Mal acabo de começar a escrever este artigo quando meu computador me avisa que tenho três e-mails novos na minha caixa de entrada. Além disso, recebi duas ligações e várias mensagens. Então aproveitei e entrei no site do jornal As para ver se havia acontecido algo de relevante no mundo do esporte. Meia hora se passou e ainda não escrevi uma só linha.

A falta de concentração é contínua, o bombardeio não para. Meu único consolo, se podemos chamar assim, é que não acontece apenas comigo, mas é o sinal dos tempos digitais. Segundo as estatísticas, passamos cerca de onze minutos no máximo concentrados em uma atividade antes que alguém nos interrompa. E, se ninguém faz isso, somos nós mesmos que nos desconectamos. Se isso fosse pouco, cada momento de falta de concentração faz com que se leve entre dez e 20 minutos para recomeçar a atividade. Não estamos acostumados a estar situados no presente. Nosso corpo está, mas nossa cabeça não. Nos acostumamos com a distração, a atenção parcial, algo parecido a uma praga universal da síndrome de déficit de atenção. Temos tanta vontade em estarmos conectados que nos esquecemos de primeiro conectar com nós mesmos. E isso produz estresse, ansiedade, sensação de opressão, de estar sempre atrasado, de não ter tempo para nada.

Assim, não é de se estranhar que o conceito de mindfulness tenha surgido com tanta força. Essa prática de origem budista conta com mais de 2.500 anos, no entanto só passou a ser difundida no Ocidente há cerca de 30 anos para tratar problemas associados ao estresse e à dor crônica. Hoje, a aplicação desse conceito se estende a quase todos os campos, como por exemplo nas salas de aula. É normal ver as universidades oferecendo aos seus alunos oficinas de atenção plena, conscientes de que na maioria dos casos a distância que separa o sucesso do fracasso não tem a ver com o talento natural, mas com a capacidade de nos concentrarmos, que permite reter conceitos, relacioná-los, entendê-los e incorporá-los em nossas estruturas de pensamento. É porque, por mais que uma pessoa seja intelectualmente capacitada, sem atenção a reprovação é quase certa. É preciso entender que o cérebro não é multitarefa. Apenas podemos nos concentrar em uma coisa de cada vez e, se não fazemos isso, se tentamos estar em vários lugares ao mesmo tempo, não conseguimos um resultado satisfatório como aqueles que com igual ou menor capacidade que a nossa conseguem, colocando o foco de toda sua atenção na atividade concreta que estão desenvolvendo.

"A atenção é um músculo que deve ser treinado
As pesquisas científicas demonstraram o que os budistas já sabiam há mais de dois mil anos, quer dizer, que um estado de atenção consciente ajuda não apenas na redução do estresse ou da ansiedade, mas também a ser mais criativos, em poder julgar e avaliar as situações com maior clareza, aumentar a resistência emocional e desfrutar mais do que estamos fazendo.

Como tantas outras capacidades do ser humano, a atenção também pode ser treinada. Porque é um músculo que quando se utiliza é fortalecido e, quando não, atrofia. Os resultados, logicamente, são progressivos e podemos, pouco a pouco, ir conseguindo maiores cotas de atenção. Além disso, se vamos enfrentar atividades que exigem maior concentração, como por exemplo uma época de provas, treinar alguns minutos vai nos preparar para expandir os limites de nossa atenção, minimizar os efeitos das distrações, próprias e alheias, e desfrutar do momento. Assim vamos criar agora nossa própria academia de mindfulness. Para isso precisamos reservar entre cinco e 20 minutos por dia de treinamento e fazer estes três exercícios que podem ser repetidos à vontade e, inclusive, introduzir todas aquelas variações que nos venham à cabeça. O importante é praticar.

Para saber mais


Ilustración de Anna Parini


LIVROS

‘Focus’
Daniel Goleman (Kairos)
Neste livro encontrassem-se as chaves
de como aumentar a capacidade de atenção
para conseguir a excelência.


‘Colore mandalas’
Susanne F. Fincher (EDAF)
Com ele poderemos colorir 48
mandalas inspirados nas
formas da natureza.



A uva passa. Este é um dos exercícios mais utilizados nas oficinas de mindfulness em todo o mundo. É tão simples como revelador. Trata-se de pegar uma uva passa. Sim, uma simples uva passa. Mas não a comemos, não por enquanto.

Primeiro, observa-se a passa com detalhe e é preciso se concentrar e se dar conta do amplo leque de cores e tonalidades, de como a luz incide em suas dobras, em sua textura rugosa. Suas formas irregulares aos nossos olhos. A ideia é captar tudo o que possa ser visto. Depois, é preciso fechar os olhos e tocar a uva passa. Mas com carinho. Fazer com que ela dance entre os dedos para sentir sua textura e o nosso tato, de como sua pele se mescla com a nossa.

Depois, ainda com os olhos fechados, colocamos a passa na boca. Não a mordemos, mas a acariciamos com os dentes primeiro, para depois notar que cai em nossa língua, acomodando-a. Agora a exploramos com a língua, da mesma maneira que fizemos com os dedos. Lentamente. Sem pressa. Desfrutando de tudo o que uma simples e insignificante uva passa possa nos oferecer. No final, agora sim, a mordemos. E somos conscientes de uma explosão magnífica produzida em nossos sentidos.

Percebemos seu sabor, como se funde e confunde com o nosso, com a saliva, com o gosto. Tratamos de encher toda a boca com essa mescla, chegando a todos os cantos. Apenas então engolimos a uva passa e notamos como cai pela garganta, como abandona a boca e se integra em nosso interior. Um vez finalizado o exercício, esperaremos alguns segundos para abrir os olhos e comemorar que desfrutamos de uma uva passa, talvez pela primeira vez na vida, em vez de engoli-la. Exploramos todas as possibilidades que tinha para nos oferecer. Isso é o que ocorre com o presente, que se o engolimos com a pressa e a falta de atenção, não deixamos que nos dê tudo o que tem para oferecer.

Pintar e colorir. Não é a primeira vez que nesse espaço se comenta a importância de recuperar certas atitudes e atividades infantis em benefício do desenvolvimento pessoal. Sem dúvida, este é um dos casos mais chamativos. E, ultimamente, se insiste muito, em muitos âmbitos, nos benefícios de pintar e colorir, que todos já praticamos, para a obtenção do estado de atenção plena. Apenas são necessárias algumas folhas brancas e pretas, pegar dois lápis de cor e começar a pintar. Com atenção. Abstraídos. Concentrados. Da mesma maneira de quando éramos crianças.

Um estado de atenção consciente ajuda não apenas na redução do estresse ou da ansiedade, mas também a ser mais criativo
Tentar não custa nada, na Internet podemos encontrar uma infinidade de modelos para pintar de todo tipo, especialmente mandalas, que são as representações do macrocosmos e do microcosmos usadas no budismo e no hinduísmo. Essa atividade, tão simples, reduzirá nosso ruído interior, nos permitirá treinar a arte de focarmos em apenas uma atividade, nos conectaremos com nossa parte criativa e estimularemos a psicomotricidade. Carl Jung, o grande psiquiatra suíço, não duvidava disso ao afirmar que “a prática da mandala é a única terapia que pode ser feita sozinho".

Respiração. Como os atletas, que aprendem que para melhorar o rendimento devem respirar corretamente, nós também temos que praticar a respiração em nossa academia de atenção plena. Apesar de existirem muitas técnicas de respiração, é possível começar com a mais simples, que é a respiração quadrada. Basicamente trata-se de cadenciar a respiração, se dando conta de que se está respirando e afastar todo pensamento que tente interferir neste exercício. Eduard Punset, em seu blog, ensina com sua aparente simplicidade carregada de pedagogia como praticar a respiração em benefício da atenção plena:

“Em primeiro lugar, adotar uma postura de descanso. Em segundo lugar, respirar profundamente graças a uma absorção moderada de ar e sua consequente e posterior exalação. Em terceiro lugar, deixar que o organismo supere o ato de respirar profundamente para acariciar, muito brevemente, os pensamentos aos quais se renuncia. Em quarto lugar, anotar que o ato de respirar foi interrompido por algum pensamento para voltar o quanto antes ao processo respiratório. Basta repetir durante dez minutos todos os dias o exercício —e esse é o quinto passo—para constatar que o foco da atenção melhorou”.

Pegue o coelho

Um estudante de artes marciais se aproximou do mestre para fazer a seguinte pergunta: “Querido mestre, apesar do muito que aprendo com o senhor, gostaria de melhorar meus conhecimentos das artes marciais. Além de aprender com o senhor gostaria de aprender com outro mestre para dominar outro estilo e outras visões que com certeza me enriqueceriam.
O que o senhor acha da ideia? O mestre, que havia escutado com atenção as palavras de seu discípulo, meditou por alguns instantes e disse: “O caçador que persegue dois coelhos não pega nenhum”.



FONTE: Elpaís