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segunda-feira, agosto 17

Algoritmos facilitam classificação automatizada de textos da internet

A representação das relações entre termos em redes permite aprender padrões que não são assimilados em outros tipos de representações (imagem: FAPESP)


Um conjunto de algoritmos desenvolvidos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, permite filtrar, entre grandes quantidades de textos, dados que possibilitam classificá-los de acordo com o teor de seu conteúdo.
Dessa forma, comentários publicados em redes sociais podem ser facilmente identificados como positivos ou negativos e coleções de bibliotecas virtuais podem ser categorizadas de acordo com o gênero literário, temas e outros aspectos específicos de cada obra.
Os algoritmos foram desenvolvidos por Rafael Geraldeli Rossi, responsável pela pesquisa de doutorado Extraindo padrões de coleções de documentos textuais utilizando redes heterogêneas, realizada com o apoio da FAPESP. O trabalho foi premiado na 16th International Conference on Intelligent Text Processing and Computational Linguistics, em abril, no Egito.
“A quantidade de informações à disposição em diferentes plataformas facilmente acessíveis, como a web, é cada vez maior. É preciso que sejam desenvolvidas novas estratégias para filtrá-las de maneira inteligente, sem que dados se percam no processo e garantindo maior precisão na interpretação das informações”, disse Rossi.
Os algoritmos desenvolvidos por Rossi permitem a classificação, considerando não só a incidência de termos específicos em diferentes textos, mas também redes formadas por associações entre termos, o que agiliza o processo e diminui a quantidade de informações que precisam ser fornecidas para “treinar” a máquina.
O trabalho é desenvolvido por meio de aprendizado de máquina, campo da inteligência artificial dedicado ao desenvolvimento de algoritmos e de técnicas que permitem ao computador aperfeiçoar seu desempenho em alguma tarefa, “aprendendo” a partir de exemplos previamente classificados por um usuário ou especialista.
De acordo com Solange Oliveira Rezende, pesquisadora do ICMC e orientadora da pesquisa, a representação de dados em redes possibilita melhorar a organização e classificação de dados considerando poucos exemplos anteriormente classificados.
“A representação das relações entre termos em redes permite aprender padrões que não são assimilados em outros tipos de representações. A partir daí foram desenvolvidos os algoritmos que manipulam essas representações em redes de termos, permitindo fazer análises sobre os diferentes tipos de relações que podem existir entre os termos e adequando o aprendizado de máquina às necessidades do usuário”, explicou.
Para Rezende, os algoritmos desenvolvidos por Rossi simplificam o processo de classificação sem prejudicar sua precisão e minimizando a complexidade computacional.
“O grande diferencial do trabalho é que ele não considera apenas a frequência dos termos nos documentos, que é o mais comum nesse tipo de pesquisa. Leva-se em conta também a relação entre termos para realizar a classificação dos textos.”
O trabalho foi desenvolvido no âmbito da pesquisa Aprendizado de máquina para WebSensors: algoritmos e aplicações, conduzida por Rezende no ICMC também com o apoio da FAPESP.
O objetivo, explicou a pesquisadora, é investigar métodos de aprendizado de máquina para apoiar a construção automática de sensores da Web.
“O desenvolvimento de um websensor depende de especialistas para definição dos parâmetros do sensor, como expressões para busca, filtros e monitoramentos de conteúdo textual da Web, o que torna o processo mais complexo. Os algoritmos de aprendizado de máquina semissupervisionados para classificação de textos, como os desenvolvidos na pesquisa, podem ser utilizados para gerar sensores e monitorar exemplos de interesse do usuário”, disse Rezende.
Segundo a pesquisadora, o estudo busca contribuir ainda com a exploração do potencial da Web como “um grande e poderoso sensor social, permitindo monitorar vários tipos de eventos a partir de textos publicados em portais de notícias e redes sociais, como detecção de epidemias, extração de indicadores políticos e econômicos e análise de sentimentos”.
Os resultados da pesquisa de Rossi, que conta ainda com a colaboração de Alneu de Andrade Lopes, professor do ICMC, podem ser acessados em sites.labic.icmc.usp.br/ragero/cicling_2015


FONTE: FAPESP


segunda-feira, agosto 10

O poder do planejamento positivo

Precisamos de um foco negativo para sobreviver, mas de um positivo para prosperar




Se tudo funcionar perfeitamente na sua vida, o que você estará fazendo daqui a dez anos?
Essa pergunta nos convida a considerar o que realmente importa para nós, e como isso pode guiar nossas vidas. Seguir esse exercício simples encoraja a abertura para novas possibilidades.
“Falar sobre seus objetivos positivos ativa centros no cérebro que tornam as pessoas suscetíveis a novas possibilidades. Mas se mudar o tom da conversa para o que você deveria fazer para se consertar, isso fecha você”, diz Richard Boyatzis, psicólogo na Escola de Gestão da Weatherhead da Universidade Case Western Reserve.
Sua pesquisa explorou esses efeitos contrastantes no coaching. Boyatzis e seus colegas escanearam os cérebros de estudantes universitários enquanto eles eram entrevistados. Para alguns, a entrevista focou em pontos positivos: o que eles amariam fazer em dez anos e o que eles esperavam ganhar dos seus anos na Universidade. Os scanners cerebrais revelaram que durante as entrevistas focadas em pontos positivos havia uma maior atividade nos circuitos de recompensa do cérebro e áreas que trazem sensação de bem-estar e memórias felizes. Pense nisso como uma assinatura neural da abertura que sentimos quando estamos inspirados por uma visão.
Para outros, o foco foi mais negativo: o quão exigentes eles consideram seus horários e tarefas, dificuldades em fazer amigos e receios acerca da sua performance. À medida em que os estudantes enfrentavam questões mais negativas, seus cérebros ativaram áreas que geravam ansiedade, conflito mental e tristeza.
Focar nos pontos fortes, argumenta Boyatzis, nos conduz em direção a um futuro desejado e estimula a abertura a novas ideias, pessoas e planos. Em contraste, a ênfase nas fraquezas provoca um senso defensivo de obrigação e culpa, tornando-nos fechados.
Um olhar positivo mantém a alegria em praticar e aprender — a razão pela qual atletas e músicos experientes continuam exercendo seu ofício. “Precisamos de um foco negativo para sobreviver, mas de um positivo para prosperar”, afirma Boyatzis.
Boyatzis explica que essa positividade também se aplica ao coaching — seja por um professor, pai, chefe ou coach executivo. Um diálogo que começa com as esperanças de uma pessoa pode resultar em uma alegre troca, uma que apoia aquela visão. Tal diálogo pode extrair alguns objetivos concretos da visão geral, estimar o que é necessário para atingir esses objetivos e determinar que capacidades necessitam ser melhoradas para chegar lá.
Para entender quão bem esse processo funciona, Boyatzis faz avaliações sistemáticas daqueles que passam pelo seu curso. Colegas de trabalho anonimamente classificam os estudantes em comportamentos específicos que demonstram uma ou mais das competências de inteligência emocional típicas de pessoas com alto desempenho (por exemplo: “compreende os outros ouvindo ativamente”). Então Boyatzis rastreia os estudantes anos depois, e eles são novamente classificados pelos seus atuais colegas.
“No momento, temos prontos 26 estudos longitudinais separados”, disse-me Boyatzis. “Descobrimos que as melhorias que os estudantes promovem na primeira rodada duram até sete anos depois”.

Leituras adicionais

Essa aula magna ministrada por Richard Boyatzis (co-autor de Primal Leadership e diretor de desenvolvimento organizacional na Escola de Gestão da Weatherhead School) oferece as ferramentas para que você se torne o líder que deseja ser — incluindo exercícios para reavaliar técnicas efetivas e mensuráveis.

O vídeo, dividido em uma coleção com oito partes, inclui mais de oito horas de resultados de pesquisas, estudos de caso e experiência industrial através de entrevistas em profundidade com respeitados líderes em gestão executiva, pesquisa organizacional, psicologia no local de trabalho, negociação e contratação de profissionais de alto nível. Licenciamento corporativo e educacional disponível.

Uma compilação de meus artigos na Harvard Business Review e escritos de outras revistas de negócios em um só volume. Esse material, efetivo e frequentemente citado, se tornou leitura essencial para líderes, coaches e educadores comprometidos em fomentar gestão de grandes resultados, aumentando a performance e conduzindo a inovação.

‘Focus’ desvela a ciência da atenção em todas as suas variedades — apresentando um olhar sem precedentes a esse ativo já demasiadamente estudado e subestimado, e por que ele é tão importante para a maneira como nos sentimos e temos sucesso na vida.


Texto publicado originalmente no perfil do autor no LinkedIn e cedido gentilmente ao Administradores.com


FONTE: administradores

terça-feira, junho 23

Como uma cidade pequena atrai dezenas de investidores internacionais

Em uma pequena cidade europeia, um programa inovador que conecta investidores a empreendedores ajudou a aumentar a quantidade de capital estrangeiro nas empresas locais em mais de 500%, em apenas três anos. Qual é o segredo desse programa? E será que o modelo pode ser replicado em outros lugares, como no Brasil?







Em 2010, Micah Gland, o CEO da Helsinki Business Hub, começou a identificar maneiras de melhorar a situação dos negócios em Helsinki, a capital da Finlândia. Embora a cidade seja sede de uma das maiores fabricantes de telefones celulares do mundo, Gland considerou que o acesso ao capital privado para empresas locais e em estágios iniciais era bastante restrito.  “A Grande Helsinque é o motor de crescimento que conduz o investimento estrangeiro finlandês e há uma necessidade especial por novos investimentos em nosso país”, disse.
Helsinki não é uma cidade muito grande. Tem pouco mais de 600 mil habitantes e sua região metropolitana abriga cerca de 1,3 milhão de pessoas. Considerando essas dimensões, Gland imaginou como a comunidade local poderia atrair investidores de alta qualidade. Ele trabalhou com William Cardwell, um professor experiente especializado em empreendedorismo da Universidade de Aalto, para pensar em uma solução: a Zona Internacional de Capital de Risco (International VC Zone – IVCZ, em inglês).
UM PROGRAMA NA FINLÂNDIA CONECTA INVESTIDORES INTERNACIONAIS FOCADOS EM TECNOLOGIA ÀS STARTUPS LOCAIS
A IVCZ busca aumentar o acesso ao investimento inicial (early-stage) em Helsinki conectando investidores de capital de risco focados em tecnologia de fora da Finlândia à startups locais com alto potencial de crescimento. Em longo prazo, o objetivo da IVCZ é transformar Helsinki em um centro de capital de risco para a região báltica, incluindo fortes conexões entre a Finlândia e a comunidade empresarial internacional.
O programa oferece os seguintes serviços para os fundos de investimento:
Bussiness Intelligence: Acesso a um banco de dados sobre investimentos que abrange toda a região nórdica (Finlândia, Dinamarca, Islândia, Noruega e Suécia);
Matchmaking: Encontros com empreendedores pré-selecionados e convites para eventos importantes na região.
Os investidores precisam ser selecionados para poderem se unir ao programa.  O processo de seleção possui três critérios-chave: o número e o tamanho das empresas ativas no fundo, o nível de interesse dos investidores na região nórdica e o compromisso da companhia em melhorar o ecossistema local.
Hoje, a IVCZ envolve mais de 75 fundos internacionais de capital de risco baseadas tanto nos Estados Unidos como na Europa, incluindo empresas líderes globais como a Index Ventures (US$ 3 bilhões em ativos sob gestão), Wellington Partners (€ 800 milhões) e Balderton Capital (US$ 2,2 milhões).
O programa é uma parceria público-privada que une a Universidade de Aalto, o governo municipal de Helsinki, a cidade de Tampere (com pouco mais de 200 mil habitantes e a duas horas da capital), e empresas finlandesas já consolidadas. Através dessas parcerias, a IVCZ, que não é uma entidade juridicamente independente, tem o equivalente a quatro funcionários em tempo integral sem possuir qualquer equipe própria.
Até o final de 2013, a organização havia ajudado 76 startups finlandesas focadas em tecnologia a garantir investimentos de mais de US$ 465 milhões entre 2010 e 2013 – um investimento médio de US$ 6 milhões por empresa. Durante este período, os investimentos estrangeiros aumentaram mais de 500%, de US$ 47 milhões em 2010 para US$ 280 milhões em 2013. A IVCZ também ampliou suas atividades para aumentar significativamente o número de investidores de capital de risco que fazem parte do projeto, que passou de 19 para 75 em três anos. No último ano, os fundos fizeram 27 investimentos nas empresas da região.
Uma das histórias de sucesso que mais se destaca na IVCZ é a Beneq, uma empresa de nanotecnologia local que recebeu o “Internationalization Award” do presidente da Finlândia em 2012. Com a ajuda da IVCZ, a Beneq conseguiu um investimento internacional de US$ 47 milhões, que colaborou para a empresa conquistar novos clientes em diversos mercados estrangeiros. Como resultado, a empresa cresceu 80% nas suas receitas e contratou 20 novos funcionários.
Para mais informações sobre a International VC Zone, acesse aqui.
Artigo originalmente publicado e gentilmente cedido pela Endeavor Insights.


FONTE: Endeavor



quarta-feira, março 4

Sete sinais de dislexia


Crianças com dificuldade de aprendizagem na escola podem ser vistas por pais e professores como desinteressadas e desleixadas. Mas as notas vermelhas talvez sejam sinal de dislexia, distúrbio que afeta a capacidade de ler e escrever. A condição afeta cerca de 5% da população brasileira, segundo o Instituto ABCD, organização social voltada a jovens com dislexia e outros problemas de aprendizagem. 

Veja fez um artigo apresentando 7 sinais da dislexia. 

Pedagogia Brasil apresenta abaixo de forma resumida alguns dos sinais:


- LEITURA LENTA E POUCO FLUENTE
- ERROS ORTOGRÁFICOS 
- DEMORA NAS CONSTRUÇÕES DE FRASE
- DIFICULDADE EM SEGUIR ORDENS LONGAS
- ESCRITA ESPELHADA
- FALTA DE CONCENTRAÇÃO
- DIFICULDADES COM NOÇÕES DE TEMPO E ESPAÇO


Esses sinais podem ser úteis para pais e professores identificarem alunos com esse distúrbio. A dislexia não tem cura, mas tem tratamento. 

O artigo completo pode ser acessado aqui  

quinta-feira, fevereiro 19

Gartner faz previsões para 2015



O Gartner revelou suas principais previsões para as empresas e usuários de TI a partir de 2015. Os principais prognósticos para esse ano revelam uma mudança nas relações entre o homem e a máquina causada pelas empresas digitais. 

Segundo Cassio Dreyfuss, VP e líder de Pesquisas do Gartner para o Brasil, já existe uma transformação em andamento relacionada às funções dos aparelhos em nosso dia a dia. “Agora, as máquinas baseadas em computação são utilizadas para criar uma variedade de experiências que ampliam o esforço humano”. 

Em sua opinião, as máquinas têm, cada vez mais, características humanas para influenciarem um relacionamento mais personalizado com as pessoas. “Em um futuro próximo, contemplaremos um mundo em que máquinas e humanos serão colegas de trabalho e, possivelmente, ainda mais dependentes um do outro”.

Previsões para 2015

Neste ano, as ofertas públicas iniciais com maior valor envolverão empresas que combinam mercados digitais com logística para desafiar ecossistemas de negócios legados e puramente físicos. Esse processo será possível graças ao amadurecimento da economia para a disrupção digital, conforme apresentado por companhias globais, como a Uber e a Airbnb. A criação positiva de sucesso em tais modelos representa uma atração irresistível para o investimento de capital.

Também haverá mais de 40 fornecedores com ofertas de serviços gerenciados disponíveis comercialmente. As necessidades dos clientes por produtos e serviços mais rápidos, baratos e melhores, estão alimentando a revolução da empresa digital. Com a preferência dos consumidores de usar a Internet e serviços móveis para impulsionar as eficiências comerciais e otimizar a gestão do tempo, as indústrias estão se esforçando para melhorar a experiência dos clientes por meio da simplificação e da automação. 

Até o final deste ano, os assistentes digitais móveis vão cuidar de processos táticos triviais, como anotar nomes, endereços e informações de cartões de crédito. Eventos fixos, como reposição em supermercados, serão comuns e proporcionarão a esses tipos de assistentes a confiança para evoluírem. As compras anuais de assistentes móveis autônomos vão chegar a US$2 bilhões por ano, representando cerca de 2,5% de assistentes confiáveis para usuários móveis com US$50 bilhões por ano. 

Falando em dispositivos móveis, haverá um interesse renovado pelos pagamentos mobile. Os clientes que nasceram e cresceram usando a Internet como plataforma de comunicação, informação e transações e vivem presos aos seus equipamentos vão querer que os provedores de serviços e os varejistas atendam às suas expectativas de experiências de comércio conectadas e indiferentes aos canais. 

Até o fim de 2015, 5% das empresas globais vão projetar processos super manobráveis, que ofereçam vantagens competitivas. Como resultado da inovação dos modelos de negócio, agora, alguns processos serão deliberadamente instáveis, projetados para mudanças e que podem se ajustar dinamicamente, de acordo com as necessidades dos clientes. Eles são vitais por serem ágeis, adaptáveis e super manobráveis, variando com as mudanças nas necessidades dos clientes. A capacidade de mudar rapidamente vai alavancar os conceitos de liquidez organizacional. Esse enfoque holístico, que mistura modelo de negócio, processos, tecnologia e pessoas, vai alimentar o sucesso da empresa digital.

Mais da metade dos produtos de consumo tradicionais terá extensões digitais nativas. Em muitas indústrias, a hiperconcorrência desgastou as vantagens de produtos e serviços tradicionais, fazendo com que a experiência dos clientes seja o novo campo de batalha. Os concorrentes e as alternativas são abundantes e a inovação dos produtos está sujeita a acelerar a comoditização. A inovação da experiência dos clientes permanece sendo o segredo para uma fidelidade à marca duradoura.

Ainda neste ano, mais de 90% dos e-tailers de bens duráveis vão buscar ativamente parcerias externas para dar suporte aos novos modelos de negócio de produtos personalizados. A impressão 3D, por exemplo, já está causando um profundo impacto na viabilização de startups para que reduzam os custos de infraestrutura, em comparação aos processos de manufatura tradicional existentes. 

Médio e longo prazo

Até o final de 2016, 50% das iniciativas de transformação digital serão incontroláveis em virtude da falta de habilidade de gerenciar portfólios, o que levará a uma perda negativa e mensurável de participação de mão de obra no mercado. O novo ambiente de empresa digital vai mudar profundamente os processos de negócio, juntamente com a demografia dos empregos, e a necessidade de competências mais avançadas para os consumidores e para os provedores em todas as indústrias.

No próximo ano haverá um aumento na quantidade de ofertas dos varejistas voltadas à localização do cliente e ao tempo gasto na loja. Cada vez mais, os comerciantes digitais aumentam o foco em propaganda móvel e analítica avançadas para aproveitar as vantagens apresentadas pelo crescimento do uso de equipamentos móveis. Os sistemas de posicionamento interno tornaram-se cada vez mais viáveis. Em vez de usar satélites, essas tecnologias usam faróis Bluetooth de baixa energia e pontos de acesso wi-fi para determinar a localização de um equipamento móvel dentro de um edifício, com precisão na faixa de centímetros. 

A partir de 2017, estima-se que os custos dos cuidados com a diabetes serão reduzidos em 10% por meio do uso de smartphones. Os monitores que podem ser ‘vestidos’ representam uma grande promessa. Os dados podem ser correlacionados com grandes repositórios de informações baseados em Nuvem para gerar ações aprovadas, e, via redes sociais, obter informações. O Gartner prevê que os dados de dispositivos de monitoramento remoto vão oferecer acesso contínuo dos pacientes aos médicos. Até 2020, a expectativa de vida no mundo desenvolvido vai aumentar em meio ano em virtude da crescente adoção de tecnologias sem fio de monitoramento da saúde.

Em dois anos, o engajamento dos clientes de mobilidade nos EUA vai impulsionar o faturamento do comércio móvel local em 50% das receitas do comércio digital. Aliás, falando em mercado eletrônico, as empresas digitais vão demandar 50% menos trabalhadores em processos de negócio e 500% mais empregos-chave, comparados aos modelos tradicionais.

Ainda em 2017, 70% dos modelos de empresa eletrônica bem sucedidas vão depender de processos instáveis e projetados para mudar conforme as necessidades dos clientes. Cerca de 50% dos investimentos em produtos de consumo serão redirecionados para inovações na experiência dos consumidores.

Até 2020, as empresas de Varejo que usam mensagens dirigidas combinadas aos sistemas internos de posicionamento (IPS) verão um aumento de 5% nas vendas.




Fonte: Decision Report

quarta-feira, janeiro 14

LIDERANÇA: O paradoxo da autenticidade


A AUTENTICIDADE se tornou o padrão-ouro da liderança. Mas uma compreensão simplista sobre o que ela significa pode prejudicar seu crescimento e limitar seu impacto.

Veja o caso de Cynthia, diretora de uma organização de assistência médica. Sua promoção para esse cargo aumentou em dez vezes o número de seus subordinados diretos e ampliou o leque de negócios que supervisionava — e ela se sentiu um pouco insegura quanto a dar um salto tão grande. Defensora ferrenha da liderança transparente e colaborativa, Cynthia abriu seu coração para os novos funcionários: “Quero fazer este trabalho”, disse, “mas ele é assustador, e preciso de sua ajuda”. Sua franqueza teve mau resultado: ela perdeu credibilidade entre as pessoas que queriam e precisavam de um líder confiante para assumir o comando.

Ou veja o caso de George, executivo malásio de uma empresa de autopeças na qual as pessoas valorizavam uma cadeia clara de comando e tomavam decisões por consenso. Quando uma multinacional holandesa com estrutura matricial adquiriu a empresa, George se viu trabalhando com colegas que enxergavam a tomada de decisão como uma disputa desregrada pelas ideias mais debatidas. Para ele não era fácil adaptar-se a esse estilo, que contradizia tudo o que aprendera sobre humildade enquanto crescia em seu país. Em uma avaliação de 360 graus, seu chefe disse que ele precisava “vender” suas ideias e realizações de forma mais agressiva. George sentiu que tinha de escolher entre ser um fracasso e ser falso. 

Ir contra nossas inclinações naturais pode nos fazer sentir impostores, assim tendemos a nos agarrar à autenticidade como uma desculpa para não desgrudar do que é confortável. Mas poucos trabalhos permitem fazer isso durante muito tempo. Ainda mais quando progredimos na carreiras ou quando as exigências ou expectativas mudam, como Cynthia, George e inúmeros outros executivos descobriram. 

Em meu estudo sobre transições de liderança, tenho observado que os avanços na carreira exigem que todos nos movamos muito além da zona de conforto. Ao mesmo tempo, porém, eles desencadeiam um forte impulso compensatório para proteger nossa identidade: quando estamos inseguros sobre nós mesmos ou nossa capacidade de ter um bom desempenho ou atender à expectativas em um novo ambiente, geralmente recuamos para comportamentos e estilos familiares.

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Mas meu estudo também demonstra que os momentos que mais desafiam a percepção que temos de nós mesmos são aqueles que podem nos ensinar melhor a liderar com eficácia. Ao nos vermos como obras em andamento, desenvolvendo a própria identidade profissional por meio de tentativa e erro, podemos criar um estilo pessoal que nos pareça adequado e combine com as necessidades cambiantes de nossas organizações. 

Isso exige coragem, porque o aprendizado, por definição, começa com comportamentos não naturais e muitas vezes superficiais que podem nos fazer sentir calculistas, em vez de genuínos e espontâneos. Mas a única forma de evitar que sejamos rotulados e de nos tornarmos líderes melhores é fazer as coisas que a percepção autêntica de nós mesmos nos impediria de fazer.

Por que os líderes lutam com a autenticidade

A palavra “autêntico” refere-se tradicionalmente a qualquer obra de arte que seja original, não uma cópia. Quando usada para descrever liderança, ela tem, é claro, outros significados — e eles podem ser problemáticos. Por exemplo, a noção de aderir a um “eu verdadeiro” vai contra muitos estudos sobre como as pessoas evoluem com a experiência, descobrindo facetas de si mesmas que nunca teriam detectado apenas por meio da introspecção. E ser totalmente transparente — revelando cada pensamento e sentimento — não é apenas irrealista, mas também arriscado. 

Hoje os líderes lutam com a autenticidade por várias razões. Em primeiro lugar, fazemos mudanças mais frequentes e mais radicais nos tipos de trabalho que realizamos. Enquanto nos esforçamos para melhorar nosso jogo, uma noção claro e firme de nós mesmos é a bússola que nos ajuda a navegar entre opções e avançar em direção aos nossos objetivos. Mas quando queremos mudar nosso jogo, um conceito próprio muito rígido se torna uma âncora que nos impede de navegar, como ocorreu com Cynthia.

Em segundo lugar, nos negócios globais, muitos de nós trabalham com pessoas que não compartilham nossas normas culturais e têm expectativas diferentes sobre como devemos nos comportar. Muitas vezes pode parecer que temos de escolher entre o que é esperado —, portanto —, eficaz — e o que é sentido como autêntico. O caso de George é um exemplo.

Em terceiro lugar, as identidades estão sempre expostas no mundo atual de conectividade onipresente e mídias sociais. A forma como nos apresentamos — não só como executivos, mas como pessoas, com nossas peculiaridades e nossos interesses mais amplos — tornou-se um aspecto importante de liderança. Ter de cuidar atentamente de uma persona que está exposta para todo mundo ver pode entrar em conflito com a noção particular que temos de nós mesmos. 

Em dezenas de entrevistas com executivos talentosos enfrentando novas expectativas, descobri que, na maioria das vezes, eles lutam com a autenticidade nas situações a seguir.

Assumir um cargo novo. Como se sabe, os primeiros 90 dias são críticos em um novo papel de liderança. As primeiras impressões se formam rapidamente — e são importantes. Dependendo de suas personalidades, os líderes respondem de formas muito diferentes à maior visibilidade e à pressão por desempenho.

O psicólogo Mark Snyder, da University of Minnesota, identificou dois perfis psicológicos que mostram como os líderes desenvolvem seu estilo pessoal. Os “automonitores elevados” — ou camaleões, como eu os chamo — são naturalmente capazes e dispostos a se adaptar às exigências de uma situação sem se sentir falsos. Os camaleões se preocupam com a gestão de sua imagem pública e muitas vezes mascaram sua vulnerabilidade com arrogância. Nem sempre acertam da primeira vez, mas continuam experimentando diferentes estilos, como novas roupas, até encontrar algo que combine bem com eles e suas circunstâncias. Graças a essa flexibilidade, costumam progredir rapidamente. Mas os camaleões também podem ter problemas quando as pessoas os percebem como indivíduos hipócritas ou sem uma base moral — embora estejam expressando sua “verdadeira” natureza camaleônica.

Em contraste, os “fiéis a si mesmos” (os “automonitores baixos” de Snyder) tendem a expressar o que realmente pensam e sentem, independentemente das exigências da situação. O perigo com os fiéis a si mesmos, como Cynthia e George, é se aterem por tempo demais a um comportamento confortável que os impede de atender a novas exigências, em vez de fazer seu estilo evoluir à medida que ganham conhecimento e experiência. 

Foi assim que Cynthia (a quem entrevistei após ler sua história em um artigo de Carol Hymowitz no Wall Street Journal) se colocou em um beco sem saída. Ela pensava que teria sucesso permanecendo fiel a seu estilo de gestão, altamente pessoal, de transparência total. Pediu apoio à nova equipe, reconhecendo abertamente que estava um pouco perdida. Enquanto se esforçava para aprender aspectos desconhecidos do negócio, também trabalhava incansavelmente para contribuir com todas as decisões e resolver todos os problemas. Depois de poucos meses, estava à beira do esgotamento. Para piorar as coisas, o fato de compartilhar tão cedo sua vulnerabilidade com os membros da equipe prejudicou sua posição. Refletindo alguns anos depois sobre essa transição, Cynthia me disse: “Ser autêntico não significa que você possa ser posto contra a luz e as pessoas vejam através de você”. Mas, naquela época, era assim que ela via as coisas — e, em vez de gerar confiança, levou as pessoas a questionar sua capacidade de fazer o trabalho.


Delegar e comunicar inadequadamente é apenas parte do problema em um caso como esse. A questão mais profunda é descobrir o equilíbrio certo entre distância e proximidade em uma situação não familiar. A psicóloga da Stanford University Deborah Gruenfeld descreve isso como gerir a tensão entre autoridade e acessibilidade. Para ter autoridade, você privilegia seu conhecimento, experiência e expertise em relação aos da equipe, mantendo certa medida de distância. Para ser acessível, você enfatiza a relação com as pessoas, as contribuições e perspectivas que elas oferecem, e lidera com empatia e cordialidade. Obter o equilíbrio certo representa uma crise aguda de autenticidade para os fiéis a si mesmos, que normalmente têm forte preferência por se comportar de uma forma ou de outra. Cynthia mostrou-se muito acessível e vulnerável — e isso a minou e esgotou. Em seu papel maior, ela precisava ter mais distância dos funcionários para conquistar a confiança deles e realizar o trabalho.

“Vender” suas ideias (e você mesmo).  O crescimento do nível de liderança geralmente envolve uma mudança: além de ter boas ideias, passa a ser preciso “vendê-las” aos diversos stakeholders. Líderes inexperientes, principalmente os fiéis a si mesmos, muitas vezes consideram desagradável o processo de obtenção de apoio, porque ele parece artificial e político. Eles acreditam que seu trabalho deve se destacar por próprio mérito.

Eis um exemplo: Anne, diretora de uma transportadora, tinha dobrado a receita e basicamente redesenhado os processos centrais de sua unidade. Apesar de suas evidentes realizações, o chefe não a considerava uma líder inspiradora. Ela também sabia que não estava se comunicando de forma eficaz em seu papel de integrante do conselho de administração da empresa controladora. O presidente, que via as coisas de maneira ampla, costumava ficar impaciente com a preocupação de Anne com os detalhes. Ele recomendara: “Marque presença, pense grande”. Mas —, para Anne —, isso era como valorizar a forma em detrimento do conteúdo. “Para mim, é manipulação”, disse  ela em uma entrevista. “Também posso contar histórias, mas me recuso a jogar com as emoções das pessoas. Se a manipulação é muito óbvia, eu não consigo.” Como muitos aspirantes a líder, ela resistiu a elaborar mensagens emocionais para influenciar e inspirar outras pessoas, porque isso lhe parecia menos autêntico do que contar com fatos, dados e planilhas para apoiá-la. Como resultado, ela trabalhou com objetivos diferentes dos do presidente do conselho, esforçando-se ao máximo para mostrar resultados, em vez de tentar atraí-lo como um valioso aliado.

No fundo, muitos gestores sabem que suas boas ideias e seu grande potencial passarão despercebidos se não fizerem um trabalho melhor de autopromoção. Ainda assim, não conseguem fazê-lo. “Tento formar uma rede com base no profissionalismo e no que posso entregar para o negócio, não em quem eu conheço”, disse-me um gestor. “Talvez isso não seja muito inteligente do ponto de vista da carreira. Mas não posso ir contra minhas crenças. Por isso, tenho sido mais limitado em formar uma rede com pes-
soas influentes.”


Enquanto não vemos avanço na carreira como uma forma de ampliar nosso alcance e aumentar nosso impacto na organização — uma vitória coletiva, não apenas uma busca egoísta —, temos problemas para nos sentir autênticos ao divulgar nossos pontos fortes para pessoas influentes. Para os fiéis a si mesmos, é particularmente difícil “vender-se” para a alta gestão quando mais precisam: quando ainda não foram postos à prova. O estudo mostra, porém, que essa hesitação desaparece à medida que as pessoas ganham experiência e têm mais certeza do valor que agregam.

Processar feedback negativo. Muitos executivos bem-sucedidos recebem um grande feed-back negativo pela primeira vez em suas carreiras quando assumem papéis ou responsabilidades maiores. Mesmo quando as críticas não são exatamente novas, elas parecem mais relevantes porque há mais coisas em jogo. Mas os líderes muitas vezes convencem a si mesmos de que aspectos disfuncionais de seu estilo “natural” são o preço inevitável de ser eficaz.

Vejamos Jacob, gerente de produção de uma empresa de alimentos cujos subordinados diretos lhe deram, em uma avaliação de 360 graus, notas baixas em inteligência emocional, formação de equipe e empoderamento de outras pessoas. Um membro de equipe escreveu que era difícil para Jacob aceitar críticas. Outro assinalou que, depois de uma explosão de raiva, ele de repente fazia uma piada como se nada tivesse acontecido, não percebendo o efeito desestabilizador de suas mudanças de humor naqueles ao seu redor. Para alguém que acreditava genuinamente que tinha gerado confiança entre seu pessoal, o feedback foi difícil de engolir.

Depois que passou o choque inicial, Jacob reconheceu que não era a primeira vez que recebia críticas desse tipo (alguns colegas e subordinados tinham feito comentários semelhantes alguns anos antes). “Eu pensava que tinha mudado minha abordagem”, refletiu, “mas realmente não tinha mudado muito desde a última vez.” Entretanto, ele logo racionalizou seu comportamento para o chefe: “Às vezes você tem de ser duro para obter resultados, e as pessoas não gostam disso”, disse Jacob. “Você tem de aceitar como parte de suas funções”. Visivelmente ele não estava entendendo o problema.

Como o feedback negativo dado aos líderes em geral se concentra no estilo, e não em habilidades e conhecimentos, ele pode ser visto como uma ameaça à identidade — como se fosse pedido que desistissem de seu “tempero secreto”. Foi assim que Jacob viu a situação. Sim, ele podia ser explosivo — mas, do seu ponto de vista, a “dureza” lhe permitiu obter resultados ano após ano. Na verdade, porém, ele havia sido bem-sucedido até então apesar de seu comportamento. Quando seu papel cresceu e ele assumiu maiores responsabilidades, seu intenso escrutínio dos subordinados se tornou um obstáculo ainda maior, porque lhe tomou tempo que deveria ser dedicado a atividades mais estratégicas.

Um grande exemplo público desse fenômeno é Margaret Thatcher. Aqueles que trabalhavam com ela sabiam que podia ser impiedosa se alguém não conseguisse se preparar tão intensamente quanto ela. Thatcher era capaz de humilhar um funcionário em público, era notoriamente uma má ouvinte e acreditava que fazer concessões era covardia. Enquanto se tornava conhecida para o mundo como a “Dama de Ferro”, ela se convencia cada vez mais da retidão de suas ideias e da necessidade de seus métodos coercitivos. Podia submeter qualquer um com o poder de sua retórica e convicção — e ficou melhor com o tempo. No entanto, isso acabou sendo sua ruína — Thatcher foi derrubada pelo próprio gabinete.

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Um estado de espírito brincalhão

Um autoconceito tão rígido pode resultar de muita introspecção. Quando só olhamos para dentro de nós em busca de respostas, reforçamos inadvertidamente velhas formas de ver o mundo e concepções ultrapassadas de nós mesmos. Sem o benefício do que chamo de outsight — a valiosa perspectiva externa que obtemos com a experimentação de novos comportamentos de liderança —, os padrões habituais de pensamento e ação nos encarceram. Para começar a pensar como líderes, devemos primeiro agir: mergulhar em novos projetos e atividades, interagir com tipos muito diferentes de pessoas e experimentar novas formas de fazer as coisas. Principalmente em tempos de transição e incerteza, o pensamento e a introspecção devem seguir a experiência — e não o contrário. A ação muda quem somos e o que acreditamos que vale a pena fazer.

Felizmente, existem maneiras de ampliar a perspectiva externa e evoluir para uma forma “adaptativamente autêntica” de liderar, mas elas exigem um estado de espírito brincalhão. Pense no desenvolvimento da liderança como a experimentação de outras possíveis identidades, não como um trabalho sobre você mesmo — o que, admitamos, parece bastante penoso. Quando adotamos uma atitude brincalhona, ficamos mais abertos a possibilidades. Não há problema em ser inconsistente de um dia para o outro. Isso não é ser falso, é a forma como experimentamos para descobrir o que é adequado para os novos desafios e circunstâncias que enfrentamos.  

Meu estudo sugere três formas interessantes de começar:

Aprenda com diversos modelos. A maior parte do aprendizado envolve necessariamente algum tipo de imitação — e a compreensão de que nada é “original”. Uma parte importante do crescimento como líder é ver a autenticidade não como um estado intrínseco, mas como a capacidade de pegar elementos que você aprendeu com os estilos e comportamentos dos outros e torná-los seus. 

Mas não copie o estilo de liderança de apenas uma pessoa, aproveite elementos de muitos modelos diferentes. Há uma grande diferença entre imitar completamente alguém e selecionar características de várias pessoas para criar sua própria colagem, que depois você modifica e melhora. Como disse o dramaturgo Wilson Mizner, copiar um autor é plágio, mas copiar muitos é pesquisa. 

Observei a importância dessa abordagem em um estudo com banqueiros e consultores de investimento que estavam passando de trabalhos de análise e projetos para funções de aconselhamento a clientes e venda de novos negócios. Embora a maioria se sentisse incompetente e insegura no novo cargo, os camaleões adotaram conscientemente estilos e táticas de líderes seniores bem-sucedidos — aprendendo por meio da emulação como usar o humor para quebrar a tensão em reuniões, por exemplo, e como moldar opiniões sem ser arrogante. Essencialmente, os camaleões fingiram até descobrir o que funcionava para eles. Percebendo seus esforços, os gestores forneceram treinamento e tutoria e compartilharam conhecimento tácito.

Como resultado, os camaleões chegaram muito mais rápido a um estilo mais hábil e autêntico, do que os fiéis a si mesmos, que continuaram a se concentrar apenas em demonstrar domínio técnico. Muitas vezes os fiéis a si mesmos concluíram que os gestores eram “de muita conversa e pouco conteúdo” e, por isso, não serviam como modelos. Na ausência de um modelo “perfeito”, tiveram maior dificuldade com a imitação — tudo parecia falso. Infelizmente, os gestores viram sua incapacidade de adaptação como falta de esforço ou investimento, por isso não lhes deram tanta tutoria e treinamento quanto aos camaleões.

Trabalhe para melhorar. Fixar metas de aprendizado (não só de desempenho) ajuda a testar nossa identidade sem nos sentirmos impostores, porque não esperamos acertar em tudo desde o início. Paramos de tentar proteger nosso confortável “eu” antigo das ameaças que a mudança pode trazer — e começamos a examinar que tipos de líder podemos nos tornar.

É claro que todos queremos ter um bom desempenho em uma nova situação — preparar a estratégia certa, executá-la como loucos, obter resultados importantes para a organização. Mas concentrar-se exclusivamente nessas coisas nos faz ter medo de correr riscos em prol do aprendizado. Em uma série de experimentos engenhosos, a psicóloga da Stanford University Carol Dweck mostrou que a preocupação em relação a como vamos aparecer para os outros inibe o aprendizado de tarefas novas ou desconhecidas. Metas de desempenho nos motivam a mostrar aos outros que possuímos atributos valiosos, tais como inteligência e habilidade social, e a provar para nós mesmos que os possuímos. Em contraste, as metas de aprendizado nos motivam a desenvolver atributos valiosos.

Quando estamos em modo de desempenho, liderança significa apresentar-nos sob a luz mais favorável. Em modo de aprendizado, podemos conciliar o anseio por autenticidade na forma como trabalhamos e lideramos e o desejo igualmente forte de crescer. Um líder que conheci era muito eficaz em ambientes de pequenos grupos, mas tinha dificuldade de mostrar abertura para novas ideias em reuniões maiores, nas quais ficava preso muitas vezes a apresentações prolixas com medo de ser desviado do caminho por comentários de outras pessoas. Ele estabeleceu então para si mesmo a regra de “não usar PowerPoint”, a fim de desenvolver um estilo mais relaxado e improvisado. E se surpreendeu com o quanto aprendeu, não só sobre suas próprias preferências, mas também sobre as questões em discussão.


Não se atenha à “sua história”. A maioria de nós tem narrativas pessoais sobre momentos definidores que nos ensinaram lições importantes. Conscientemente ou não, permitimos que nossas histórias, e os retratos de nós mesmos que elas pintam, nos guiem em situações novas. Mas as histórias podem se tornar ultrapassadas à medida que crescemos, por isso às vezes é necessário alterá-las acentuadamente ou até descartá-las e recomeçar do zero.

Foi isso que ocorreu com Maria, uma líder que se via como “uma mãe coruja com todos os filhotes ao redor”. Sua treinadora, a ex-CEO da Ogilvy & Mather Charlotte Beers, explica em seu livro I’d Rather Be in Charge que essa autoimagem surgiu numa época em que Maria teve de sacrificar os próprios objetivos e sonhos para cuidar de sua família estendida. Mas isso começou a dificultar o progresso na carreira. Embora tivesse funcionado para Maria em seu papel de “jogadora de equipe” amigável, leal e pacificadora, aquela imagem não a estava ajudando a conseguir a grande atribuição de liderança que ela queria. Juntas, Maria e Charlotte buscaram outro momento definidor para usar como marco — um que estivesse mais de acordo com quem Maria desejava ser no futuro. Elas escolheram o momento em que Maria, na juventude, tinha deixado família para viajar pelo mundo durante 18 meses. Agindo com base em uma percepção mais ousada de si mesma, ela pediu — e conseguiu — a promoção antes apenas ilusória.

Dan McAdams, um professor de psicologia da Northwestern University que passou a carreira estudando histórias de vida, descreve a identidade como “a história internalizada e em evolução que resulta da apropriação seletiva do passado, presente e futuro de uma pessoa”. Isso não é apenas um jargão acadêmico. McAdams está dizendo que você tem de acreditar em sua história — mas deve também abraçar as mudanças que ela sofre com o passar do tempo, de acordo com o que você precisa fazer. Experimente novas histórias sobre si mesmo e vá editando-as, como faria com o currículo.

Mais uma vez, revisar a própria história é um processo tanto introspectivo quanto social. As narrativas que escolhemos devem não só resumir nossas experiências e aspirações, mas também refletir as exigências que enfrentamos e ecoar no público que estamos tentando conquistar.

INÚMEROS LIVROS e conselheiros lhe dizem para iniciar sua jornada de liderança com uma percepção clara de quem você é. Mas essa pode ser uma receita para ficar preso ao passado. Sua identidade de liderança pode e deve mudar conforme você avança para coisas maiores e melhores.

A única forma de crescermos como líderes é ampliar os limites de quem somos — fazendo coisas novas que nos deixem desconfortáveis, mas nos ensinem por experiência quem queremos nos tornar. Esse crescimento não exige uma reforma radical de personalidade. Pequenas mudanças — no modo como nos conduzimos, interagimos e nos comunicamos — muitas vezes fazem toda a diferença do mundo para a eficácia de nossa liderança.  





FONTE: hbrbr