Apesar de remontar às origens das relações humanas, a atividade de consultoria está constantemente se reinventando para atender às demandas do ambiente de negócios. As grandes consultorias da atualidade nasceram como um braço das empresas de auditoria, que tinham o foco constantemente ajustado de acordo com às necessidades das empresas. Pode-se dizer que a segunda onda da consultoria derivou, basicamente, de três fatores: globalização, popularização da internet e o desenvolvimento dos sistemas de gestão integrados, conhecidos como ERPs.
No final da década de 90, os avanços da tecnologia da informação foram motivados, em grande parte, pelas ameaças do bug do milênio, que gerou uma procura em massa pelos serviços de consultoria. Nesta última década muitas outras ondas emergiram, porém nenhuma, até recentemente, forte o suficiente para movimentar novamente as bases dessa atividade profissional.
Hoje, o aumento da complexidade do ambiente de negócios demanda a aplicação do conhecimento das ciências em gestão. Para se ter uma ideia da complexidade deste ambiente, basta visualizar a explosão de dados gerados diariamente em todo o mundo – um desafio que vem direcionando mudanças profissionais. De acordo com a IDC, em 2010 foram criados 1,2 trilhão de gigabytes no planeta – o que corresponde à memória de 75 bilhões de iPads.
É justamente neste cenário que vemos tomar força a Consultoria 3.0. À primeira vista, a intersecção da gestão com modelos matemáticos pode parecer algo muito futurista ou até etérea. No entanto, desenvolver novas metodologias, modelos, processos e aceleradores de projetos já faz parte da realidade de muitos profissionais. Tradicionalmente, Pesquisa e Desenvolvimento tinham seu foco voltado para produtos. A inovação está justamente em aplicar todo o conhecimento gerado pelos cientistas em Serviços.
Algumas das aplicações das ciências na resolução dos problemas modernos podem ser percebidas na otimização dos plantões de enfermeiras em detrimento do número de internados nos hospitais públicos de uma cidade, identificação de padrões de consumo para reduzir os custos de uma campanha de marketing, na simulação de cenários de negócios para fundamentar a decisão de um CEO, na predição de comportamentos dos clientes para lançamento de novos produtos e no desenvolvimento de algoritmos e modelos 3D para redução de riscos na exploração de petróleo.
Outra ilustração refere-se ao fenômeno das mídias sociais. A velocidade com a qual estas redes se propagaram pelo mundo e o impacto gerado nas corporações é um exemplo clássico de que problemas novos demandam novas soluções. O valor de ativos intangíveis como o de uma marca, ou tão sensíveis quanto o preço das ações de uma empresa, podem ser gravemente afetados em questão de horas por meio de tweets de consumidores insatisfeitos ou até de boatos propagados em blogs.
Assim, por meio de modelos analíticos e matemáticos complexos já é possível monitorar de maneira sistemática e eficaz a reputação de uma marca, seus concorrentes e influenciadores, possibilitando que uma empresa tome ações rápidas em caso de algum “ataque” importante proveniente das mídias sociais.
Na era da informação, o problema das corporações não está na geração de dados, mas sim na identificação de padrões que possam indicar o desenvolvimento de produtos que, às vezes de tão inovadores, não foram nem identificados como necessários pelos consumidores. Como no caso da empresa de laticínios que precisava de um modelo avançado de algoritmos para identificar padrões em diferentes estudos clínicos. A geração deste tipo de análise é inviável sem a combinação de um profundo conhecimento em biologia computacional, matemática e nos processos de negócios daquela indústria.
A velocidade com a qual os produtos são copiados, a facilidade com a qual novos entrantes se movem para novos mercados e a convergência de tecnologias demandam uma consultoria 3.0, capaz de fornecer valor ao somar as potencialidades dos ‘gurus’ em gestão com o conhecimento dos cientistas e pesquisadores.
FONTE: computerworld.uol
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