No final do ano passado, a gigante rede de agências Iris Worldwide, com escritórios em mais de 10 países e um histórico de cases mundo afora, resolveu investir no Brasil. Para entrar no País do futebol, campo que a Iris conhece muito bem, já que cuida da conta da Adidas, o objetivo era buscar uma agência brasileira com inovação em seu DNA.
Com uma pegada bem característica de integração entre o digital e o live marketing, a Router, fundada em 2006 por Bruno Dollo e Daniel Prianti, entrou no radar e foi a escolhida para receber o investimento que garante 60% de participação da rede britânica. Dentro de um período de sete anos, a compra será finalizada em 100%.
Do último dezembro até este final do mês de abril, muita água já passou embaixo da ponte. Mas será que já é possível fazer um balanço de inicio de parceria e traçar um perfil de como a nova agência atua no País? O Adnews conversou com Bruno Dollo, CEO e cofundador da Router, profissional que comanda a nova operação, para saber a resposta.
“A integração foi muito tranquila. Aliamos o nosso conhecimento local a um grupo que tem anseios alinhados com os nossos, mas com enorme expertise global. A ideia da Iris Router é trazer ao País um conceito de campanhas mais participativas. Aliamos inovação, criatividade e integração em todo o processo”, explica Bruno.
E para manter esse espírito de “rede global de inovação e criatividade” o epicentro das ações é o conceito “participation brands” criado pela empresa. “Vivemos e respiramos marcas que desafiam as restrições/limites tradicionais da categoria e, por isso, são livres para se tornar parte da cultura do consumidor”, define.
Mais do que o engajamento tão propalado no desejo das marcas, o que em alguns casos significa apenas a aprovação do consumidor, a Iris Router tem em seu discurso o objetivo de inserir a marca de seus clientes no lifestyle de seu público. Essa lógica é ancorada em cinco premissas básicas: qualidade excepcional (experiências únicas), habitualidade (novos rituais), benefícios mágicos e inesperados, identidade tribal (comunidades) e tendências sociais.
Dollo também explicou que como todo posicionamento de inovação, há uma linha muito tênue com a ousadia. A filosofia da agência, nesse sentido, é trabalhar para marcas que queiram e aceitem construir coisas diferentes e que tenha em seu pensamento a cultura inovadora. Além de tudo, é essencial estar preparado para o risco.
O CEO também enumerou o diferencial competitivo que a agência busca para brigar no mercado. “Temos muita flexibilidade. Somos uma rede global, mas com espírito local e DNA de inovação. A Router sempre teve ferramentas internas de inovação e uma equipe exclusivamente orientada a estimular essa inovação a aplicar em todas as áreas da agência, principalmente em nossas campanhas. A Iris também sempre trabalhou nesse sentido”, afirma.
Dentro dessa caixinha de inovação, Dollo fala em ferramentas como o Project 72, que coloca um desafio de briefing para toda a rede Iris propor soluções em até 72 horas e o Urgent Genius, uma filosofia de marketing em tempo real com geração de conteúdo criativo e temático baseado em trending topics. Isso sem contar a TrendTech, ferramenta baseada em pesquisa, curadoria, estudo e discussão multidisciplinar, que ajuda a identificar tendências e gerar insights para a criação de campanhas.
Questionado se o expertise para as áreas de digital e live marketing deve prevalecer na nova operação, como acontecia com 80% das ações da Router, Dollo diz que é normal haver um processo gradativo de equilíbrio dessas demandas. O CEO também diz que o cenário ainda é muito incerto para prever um boom do segmento de eventos em razão dos novos espaços para shows e outras atividades nas novas arenas construídas para a Copa do Mundo. “O que entrega mais resultado para as marcas é sempre a tendência para os próximos investimentos. O setor de entretenimento tem crescido no Brasil e o tíquete médio também evoluiu, mas isso não quer dizer que temos demanda para tudo isso. Tudo vai depender da economia pós copa”.
Entre as marcas atendidas pela irisRouter estão Sony Mobile, Natura, Odebrecht, Cornetto (Kibon), Neve (Kimberly Clark), Água Schin e Itubaína Retrô (Brasil Kirin), Oi, Grey Goose (Bacardi Brasil), Unilever, MINI, Adidas, Sony, Philips, Shell, entre outras. A expectativa é fechar o ano de 2014 com um crescimento de 40% além de ampliar “consideravelmente” a carta de clientes.

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