segunda-feira, março 16

NEGÓCIOS: 5 startups brasileiras que deixaram a garagem e conquistaram o mundo

A internacionalização de startups brasileiras ainda não é regra, é exceção. Mas esse mercado de jovens empresas de alto impacto tem ganhado força no Brasil e as perspectivas são otimistas




Criar uma startup é até relativamente fácil. Fazer com que ela dê certo, no entanto, é outra história. Mas muitas empresas brasileiras desse tipo têm conseguido se destacar e algumas romperam as fronteiras do país.
A internacionalização de startups brasileiras ainda não é regra, é exceção. Mas esse mercado de jovens empresas de alto impacto tem ganhado força no Brasil e as perspectivas são otimistas.
Para exemplificar esse movimento, reunimos aqui as histórias de cinco startups brasileiras que ampliaram ou estão ampliando seus horizontes e se expandindo fortemente para o exterior. Confira abaixo:

Buscapé

Antigamente, para realizar a compra de um produto, era necessário pesquisar no "corpo a corpo". Ir até uma loja, pesquisar preços, pedir informações do produto aos vendedores, formas de pagamento e, enfim, escolher a loja e finalmente comprar. Hoje em dia essa tarefa está bem mais fácil. Bastam alguns cliques e pronto, compra feita. Porém, mesmo com a facilidade da internet, outros problemas surgiram. Quantas vezes você já ficou com várias abas abertas para pesquisar um só produto em várias lojas virtuais diferentes?
Pensando em uma solução para essa "peregrinação",  o jovem Romero Rodrigues e mais 3 amigos idealizaram um site que pudesse reunir todos os valores de um só produto das várias lojas virtuais existentes na internet. Assim, nascia em 1999 o site que mais tarde se tornaria o Buscapé.
Segundo os criadores, a ideia inicial incluía também a participação de empresas offline. No entanto, devido ao grande número de lojistas resistentes, a ideia foi abortada e o cadastro foi realizado apenas com lojas de e-commerce. Em pouco tempo de existência, o site já contava com mais de 30 empresas cadastradas. Hoje, o Buscapé é o maior site do gênero aqui no Brasil, com cerca de 500 mil empresas cadastradas e mais de 60 milhões de usuários por mês.
“Pensamos em montar um site de buscas de preços após uma conversa entre amigos, quando o Rodrigo Borges teve dificuldades de comprar uma impressora pela Internet, porque não encontrava informações de onde comprar disponíveis na web”, conta o CEO do Grupo Buscapé, Romero Rodrigues.
Com o grande número de usuários e de empresas cadastradas, o Buscapé atraiu um investimento de U$ 500 mil dólares e, em seguida, outro de U$ 6 milhões. Com isso, os empresários decidiram pela expansão do serviço, através da abertura de escritórios na Argentina, Chile, Colômbia e México.
Com o faturamento de R$ 50 milhões em 2008, a empresa chamou a atenção do grupo sul-africano Naspers, que em 2009 comprou 91% das ações da empresa brasileira por U$ 342 milhões de dólares, transformando o 'simples' site de pesquisa de preços na Buscapé Company, que controla mais 15 companhias do ramo de comércio eletrônico em todo o mundo.

Easy Táxi

O Easy Taxi é outro belo exemplo de startup nacional que alcançou o sucesso fora do país. Criado em 2011, o app já está presente em 32 países e conta com mais de dez milhões de usuários em todo o mundo. Hoje, são mais de 200 mil taxistas cadastrados no sistema e 1,4 mil funcionários nas sedes nacionais e internacionais.
No início, o empreendedor Tallis Gomes, criador da ferramenta, teve que largar o emprego e vender seu carro para bancar os custos de criação do app, além de, claro, gastar muita saliva para convencer taxistas a usarem seu produto.
Vale salientar a estratégia utilizada para a expansão do produto. Dessa vez, nada de Estados Unidos ou Europa. O foco aqui ficou mesmo com a América Latina, África, Oriente Médio e Ásia, mercados mais carentes de tecnologia e com custos de implantação bem menores que os países desenvolvidos.
Os primeiros investimentos vieram e, convenhamos, não foram poucos. A startup recebeu aportes que somaram R$ 145 milhões em algumas rodadas, o suficiente para desenvolver, divulgar e transformar a ideia no que ela é hoje: o maior aplicativo de táxis do mundo. Segundo seu criador, a Easy Táxi se tornou a primeira startup do Brasil a ultrapassar a barreira de R$ 1 bilhão.

Click Bus

Se o Buscapé promove a busca por produtos mais baratos na web, o Click Bus cumpre a função com passagens de ônibus. Lançado em agosto de 2014 pelo empresário Fernando Prado, o sistema já está sendo utilizado por clientes espalhados em diversos países do mundo. No início, nada de palavras estrangeiras, apenas “Busão”, nome bem conhecido pelos brasileiros que utilizam o transporte público do país. No entanto, a mudança de nome foi necessária a partir da expansão, que se deu, inclusive, através dos investimentos da Rocket Internet, de origem alemã.
Hoje, a ferramenta já atua no México, Alemanha, Polônia, Tailândia, Turquia e Paquistão. A ClickBus vende mensalmente cerca de 60 mil passagens. Dessas, 50% (ou seja, 30 mil) são vendidas no Brasil. As demais são comercializadas nos mercados externos.

Kekanto

O Kekanto é um guia de serviços colaborativo idealizado pelos empresários Fernando Okumura, Allan Panossian Kajimoto e Bruno Yoshimura. A plataforma reúne opiniões sobre estabelecimentos, pontos turísticos e serviços, composto por quem mais entende do assunto: os visitantes e clientes desses lugares.
Ele funciona da seguinte forma: usuários online avaliam os estabelecimentos e serviços visitados por eles, podendo disponibilizar não só textos, mas também imagens e links. O site também funciona como uma rede social, uma vez que os usuários cadastrados podem recebem as atualizações de seus amigos e interagem uns com os outros.
O projeto saiu do papel em 2010 e já atua em mais de 15 países em todo o mundo, além de contar com equipes próprias no Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e México.
Em 2013, o app foi o mais adotado por fabricantes de smartphones e tablets incentivadas pela "Lei do Bem", programa de incentivo fiscal cuja regra inclui a instalação de apps desenvolvidos no Brasil em nos aparelhos das marcas que aderiram ao acordo, em troca da isenção de tributos como o PIS/COFINS.
Para ser mais exato, a Apple, a Motorola, a LG e a Huawei levaram a rede social brasileira para seus usuários através dos seus gadgets, o que se tornou uma excelente oportunidade para divulgação ao público. Através de suas versões para os sistemas Android, iOS, Windows Phone, Blackberry, Web e WebMobile, o site ultrapassou, em 2013, a marca de de 1 milhão de usuários.

Fernando Okumura, presidente do Kekanto, relatou que a intenção dos criadores sempre foi de tornar a empresa uma companhia latino-americana, apesar de ser mais fácil operar somente no Brasil.

Tripda

A Tripda é hoje uma das plataformas para caronas  mais utilizadas no Brasil. O serviço pode ser acessado pelos aplicativos para Android e iOS, além da versão para a Web. A empresa se define como uma "comunidade confiável com enfoque social e ambiental". Nela, o objetivo é compartilhar coisas e reduzir custos com transporte, conectando pessoas, gerando vínculos de amizade e estimulando usuários a valorizarem ações como poupar, trocar, emprestar e compartilhar coisas.
O site funciona da seguinte forma: usuários devem inserir os locais de partida e chegada para, assim,  visualizar as caronas disponíveis no momento necessário. Por outro lado, motoristas devem cadastrar o seu trajeto, data e hora da viagem, além de informações extras como, por exemplo, a tolerância de horário e onde os passageiros podem subir ou descer do veículo.
Essa informações são utilizadas também para que os passageiros possam saber o nível de conforto do carro, sua marca e modelo, além do espaço para bagagens, permitindo a seleção de motoristas dentre as opções existentes. O app também disponibiliza a ferramenta "Só para Elas", que realiza uma filtragem inteligente para que as caronas aconteçam somente entre mulheres motoristas e passageiras.
A empresa já atua em 13 países: Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Argentina, Uruguai, Chile, Malásia, Singapura, Filipinas, Taiwan, Paquistão e Índia. Na atual direção da Tripda está o executivo Pedro Meduna, que é, inclusive, um dos quatro co-fundadores.
Um dos mais importantes passos da empresa foi dado em 2014, através da aquisição dos sites Caronas.co e Unicaronas e da contratação dos seus fundadores, Daniel Velazco-Bedoya e Stanley Takamatsu. Após esse investimento, a plataforma chegou aos 55 mil usuários em apenas seis meses. "Com o sucesso no Brasil, decidimos investir com força total tanto em países emergentes quanto em um dos maiores mercados consumidores do mundo [Estados Unidos] e que já possui muitas empresas de economia colaborativa em atividade", relata Eduardo Prota, um dos co-fundadores da empresa.
Hoje, segundo o banco de dados da ferramenta, são disponibilizadas mais de 17 mil viagens para cerca de três mil rotas diferentes.


FONTE: administradores