sexta-feira, outubro 17

FAPESP assina novos acordos de cooperação na Alemanha

Dois novos acordos para promover a cooperação entre pesquisadores do Estado de São Paulo e da Alemanha foram assinados pela FAPESP nesta quarta-feira (15/10), durante o simpósio FAPESP Week Munich.
Parcerias foram formalizadas com o Ministério da Educação e Pesquisa da República Federativa da Alemanha (BMBF, na sigla em alemão) e com a Universidade de Münster, uma das três mais importantes instituições de ensino superior do país.
O evento realizado no Deutsches Museum, em Munique, reuniu cerca de 170 pessoas, entre elas representantes do governo federal alemão, do governo do estado da Baviera, da diretoria da FAPESP e de importantes instituições de ensino e de pesquisa dos dois países.
Ao dar as boas-vindas aos convidados, o diretor-geral do Deutsches Museum e anfitrião do evento, Wolfgang Heckl, disse que o local foi escolhido para ser a sede da conferência organizada pela FAPESP em parceria com o Centro Universitário da Baviera para a América Latina (Baylat) por ser o lugar em que "a ciência e a tecnologia encontram a sociedade".
"Somos um dos principais museus dedicados à ciência do mundo e também realizamos pesquisa. Este é, portanto, um lugar ideal para reunir pesquisadores", afirmou.
Em seguida, o ministro de Educação, Ciência e Artes do Estado da Baviera, Ludwig Spaenle, ressaltou que a internacionalização bem-sucedida é um dos principais objetivos das universidades bávaras para os próximos anos.
"Estamos procurando parceiros de peso e há muitos a serem encontrados em São Paulo. Estou impressionado com o progresso da FAPESP e os resultados do trabalho que tem realizado e estou convencido de que a FAPESP Week Munich 2014 ajudará a promover a colaboração científica entre a Baviera e São Paulo", disse.
A embaixadora do Brasil na Alemanha, Maria Luiza Ribeiro Viotti, destacou que há poucos países com os quais o Brasil mantém uma relação tão próxima. Essa proximidade, segundo Viotti, teve início ainda no século 19, quando diversos naturalistas alemães se interessaram em estudar a geografia, a fauna, a flora e a população indígena brasileira.
"A imigração alemã para o Brasil ajudou a moldar a sociedade e a cultura brasileira. O diálogo contínuo entre as culturas e as experiências pessoais forjaram em nossas sociedades uma rede extraordinária de interesses mútuos desenvolvida ao longo dos anos", afirmou.
Segundo Viotti, a cooperação em ciência, tecnologia e inovação tem se tornado cada vez mais relevante à medida que os dois países, principalmente o Brasil, enfrentam o desafio de melhorar a competitividade de sua economia.
"O Brasil vê a Alemanha como um aliado estratégico no desenvolvimento de ciência e tecnologia. Estamos cientes do papel-chave que centros de excelência, como os que podem ser encontrados na Bavária, podem ter nesse processo. A FAPESP é uma das mais qualificadas instituições brasileiras para a promoção e a colaboração internacional em pesquisa e este simpósio será um passo importante na elaboração de novos projetos e oportunidades para avançar nesse sentido", disse.
O presidente da FAPESP, Celso Lafer, ressaltou que o simpósio faz parte da estratégia de internacionalização da fundação paulista e disse estar convencido de que a diplomacia relacionada à ciência é uma importante contribuição para a paz internacional.
"Pesquisadores em todo o mundo compartilham valores comuns no que se refere à investigação científica e nesse sentido sãostakeholders do processo de cooperação. Certos processos de tomada de decisão e de formulação de políticas públicas ganham muito com os subsídios que a ciência pode oferecer", destacou.
Além de Lafer, representaram a diretoria da FAPESP José Arana Varela, diretor presidente do Conselho Técnico-Administrativo, e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico.
A delegação da fundação paulista ainda contou com a presença de Euclides Mesquita Neto, membro da coordenação da área de Engenharia, Marilda Bottesi, assessora especial para assuntos institucionais e internacionais, Carlos Eduardo Lins da Silva, consultor em Comunicação, além de nove pesquisadores de universidades do Estado de São Paulo que apresentarão resultados de seus trabalhos no evento.
Biodiversidade brasileira em cartaz
Logo após a cerimônia de abertura da FAPESP Week Munich, ocorreu a inauguração da exposição "Brazilian Nature: Mystery and Destiny", em cartaz no foyer da Biblioteca do Deutsches Museum até 6 de janeiro de 2015.
A mostra, que já esteve em instituições dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Espanha, Japão, China e na própria Alemanha, é composta por 37 painéis que resgatam o trabalho de pesquisa realizado entre 1817 e 1820 pelo naturalista bávaro Carl Friedrich Philipp von Martius, considerado ainda hoje o maior levantamento já realizado sobre a flora brasileira.
Esta edição foi enriquecida com seis obras originais produzidas por naturalistas alemães que integram o acervo da biblioteca do Deutsches Museum. Os livros retratam a geografia, a flora, a fauna e a população brasileira no século 19.
"Temos a maior biblioteca dedicada à ciência e tecnologia da Alemanha, com cerca de 1 milhão de livros. Uma das obras em exposição, publicada por Joseph Jacob von Plenck sobre a flora brasileira, é especialmente relevante, pois é considerada a base da aplicação farmacêutica das plantas", disse Heckl à Agência FAPESP.
Durante a cerimônia de inauguração, Lafer ressaltou que a exposição é fruto do trabalho desenvolvido pelos pesquisadores do programa BIOTA-FAPESP, que revisaram e atualizaram a obra Flora Brasiliensis, publicada originalmente por von Martius entre 1840 e 1906.
Os painéis permitem comparar as imagens originais feitas no século 19 com fotografias atuais de plantas e biomas. A versão digitalizada pode ser vista com legendas em português, inglês, espanhol, mandarim, japonês e alemão no endereço:www.fapesp.br/publicacoes/braziliannature.
Ampliando parcerias
Durante a manhã de quarta-feira, os diretores da FAPESP se reuniram com Bernd Sibler, secretário de estado do Ministério de Educação, Ciência e Artes da Baviera, com o ministro-adjunto, Michael Mihatsch, e com Christoph Parchmann, chefe do Departamento de Assuntos Internacionais do ministério. Durante o encontro foi discutida a importância da cooperação entre os estados de São Paulo e da Baviera.
Em seguida, a delegação da FAPESP visitou a Ludwig-Maximilians-Universität München (LMU), para discutir a possibilidade de formalizar um acordo de cooperação entre as duas instituições.
Participaram do encontro Hans van Ess, vice-presidente para assuntos internacionais da LMU, Stefan Lauterbach, diretor do Escritório Internacional, Thomas Koch, diretor da Divisão de Financiamento de Pesquisa e de Promoção de jovens acadêmicos, Susanne Weber, da Divisão de Estratégia e Desenvolvimento da Excellence Initiative, Lena Bouman, do Centro de Estudos Avançados, e Susanne Dietrich, do escritório internacional para Cooperação com a América Latina.
"A internacionalização é importante para o sucesso de uma universidade. Estou ciente do quão importante a América Latina, e o Brasil especialmente, se tornou recentemente. A LMU tem apenas três escritórios de representação no mundo e um deles está em São Paulo, o que mostra o quanto o país é importante para nós", disse van Ess.
Lauterbach apresentou um panorama sobre a universidade bávara, fundada em 1472 e considerada uma das principais da Europa. Segundo ele, a LMU abriga cerca de 50 mil estudantes, 700 professores e 3,9 mil funcionários acadêmicos. Oferece cursos e pesquisas em todas as áreas do conhecimento. Por suas salas já passaram 13 vencedores do Prêmio Nobel e 17 do Prêmio Leibniz, o mais importante da Alemanha na área científica.
Weber apresentou em seguida os programas desenvolvidos pela LMU no âmbito do "The Excellence Initiative", programa criado pelo governo federal da Alemanha com o objetivo de fomentar pesquisa de fronteira, criar condições excelentes para os estudantes de universidades alemãs e fortalecer a cooperação internacional.
No final, Brito Cruz apresentou um breve panorama da ciência no Estado de São Paulo e do trabalho realizado pela FAPESP no fomento à pesquisa. 



FONTE: FAPESP
 

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