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terça-feira, agosto 11

Empresas mineiras desenvolvem soluções para reduzir consumo de energia

Apoiados pelo Sebrae Minas, pequenos negócios buscam alternativas para que as concessionárias e a população possam disponibilizar e consumir energia de forma mais sustentável



O Brasil tem presenciando uma das piores estiagens dos últimos tempos, o que levou reservatórios de águas em diversos estados a operarem com níveis muito baixos. Frente à equação escassez de recursos X aumento do consumo energético, o Sebrae Minas criou o projeto Coletivo, que apoia 20 micro e pequenas empresas, a maior parte incubada na Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com o intuito de incentivar o desenvolvimento e a competitividade do setor de smart grid, isto é, na criação de equipamentos e serviços que utilizem redes e dispositivos inteligentes com foco no consumo mais intenso da tecnologia em todo o ciclo da produção de energia.
A iniciativa, que teve início em junho deste ano, possui diversas ações que se estenderão até 2017, com o objetivo de capacitar e estimular a abertura de novos mercados. “O objetivo é que até o final já do próximo ano, as micro e pequenas empresas participantes conquistem um aumento de faturamento de até 50% e incremento de 5% de produtos de alto impacto de inovação que possam ser lançados no mercado, estimulando, assim, o desenvolvimento de novas soluções”, explica Elaine de Fátima Rezende, analista do Sebrae Minas.
Entre as empresas que participam do projeto do Sebrae Minas está a S.O. Esco, uma das incubadoras da Unifei, que desenvolveu projetos na linha de economia de energia e água. Renato Swerts Carneiro, sócio da empresa, conta que, entre os produtos criados, está um monitor que acompanha em tempo real o consumo desses dois recursos naturais. “O diferencial é que ele faz a medição e transmite as informações para uma plataforma, via internet, e tem funções que ajudam a melhorar a gestão do consumo de energia e água.”
Entre as soluções desenvolvidas está um alarme que é acionado sempre que o valor do consumo ultrapassa o pré-estabelecido. Com isso, as indústrias podem analisar com antecedência o gasto de energia de um determinado setor ou equipamento e, assim, adotar ações corretivas e que garantam o gerenciamento eficiente do seu uso. Basta instalar o monitor no quadro da rede elétrica, sendo que um primeiro equipamento faz a leitura e transmite os dados via rádio para uma central, que, então, publica na internet. A central de energia pode ser integrada ao sistema da empresa.
“Trata-se uma ferramenta de gestão dentro de um serviço que nós vendemos. Junto dela, nós realizamos projetos de eficiência energética, em que estudamos os principais consumos, as possibilidade de melhoria, o custo e benefício dessas melhorias, entre outros serviços. Por meio dessa consultoria é detectado o que realmente precisa ser monitorado, possibilitando uma melhor gestão do consumo”, esclarece Renato Carneiro. “Outro diferencial é que monitor pode ser personalizado de acordo com as necessidades do usuário. Por exemplo: uma indústria calçadista pode se informar sobre a quantidade de energia elétrica gasta para produzir um lote de mil sapatos.”
A solução começou a ser desenvolvida com o Sebratec no final de 2013, tendo um protótipo instalado no prédio da incubadora, na Unifei. “A ideia é que o valor final reduza para que as empresas consigam fazer o maior número de monitoramentos possíveis, gerando mais informações”, vislumbra.
Apesar disso, a S.O. Esco já emitiu algumas propostas comerciais para a própria universidade, além de uma indústria automotiva, prefeituras, com foco em iluminação pública, e hospitais, para o monitoramento de material esterilizado e lavanderia. A partir desse investimento, espera-se que a economia de energia chegue a 20%.
Redução tarifária
Já a empresa Sete é destinada à indústria e ao comércio e trata dos aspectos de reajuste e revisão dos custos das Distribuidoras de Energia Elétrica, para que as tarifas de energia elétrica possam ser estimadas pelos usuários. “É um software de estimativa de energia. O cliente contrata o serviço, através de uma assinatura anual, e coloca as premissas dele no sistema, o que influenciará no valor da tarifa. A partir desses dados, o sistema apresenta uma estimativa, mas esse valor pode mudar de acordo com os parâmetros apresentados”, esclarece a empreendedora.
Dessa forma, o usuário consegue entender um pouco mais como a tarifa de energia influencia no custo final da empresa, na produção, ou no próprio planejamento de gastos para o ano seguinte.
Até agosto deste ano, o Sete já possuía 41 usuários ativos nas áreas de comercialização e distribuição de energia elétrica, produção e refino de petróleo, associações e grandes consumidores.
Prevendo falhas
Desde 2000 no mercado, a empresa PS Soluções cria projetos de manutenção preditiva de motores elétricos, especialmente motores de indução, o que permite realizar o diagnóstico e predição de falhas com métodos não invasivos e com os motores operando normalmente.
De acordo com Erik Leandro Bonaldi, sócio-diretor, a solução permite prever as falhas desses equipamentos, possibilitando que seja feita a programação de intervenções. “Imagine um motor de uma refinaria da Petrobras. Se ele quebrar, dependendo de que parte do processo for responsável, poderá provocar um prejuízo de R$ 600 mil por dia. Se ele ficar dez dias parado, o prejuízo será de R$ 6 milhões. O nosso equipamento evita que isso aconteça. Ele avisa que o motor pode estragar e, com isso, programa a intervenção, e, ao invés de ficar parado dez dias, fica apenas um”, explica. O mesmo produto pode ser usado em geradores, evitando paradas com interrupções de energia pela unidade geradora afetada.
Apesar de a manutenção preditiva já estar no mercado desde 2004, o empresário decidiu participar do grupo coletivo devido à possibilidade de apresentar a solução em outros países, além do contato com as demais empresas participantes, que acaba trazendo outros benefícios.


FONTE: administradores

quarta-feira, março 18

Garota de 17 anos inventa sistema portátil que limpa água e produz energia





Com apenas 17 anos, a jovem australiana Cynthia Sin Nga Lam desenvolveu um sistema portátil que pode facilitar muito a vida de pessoas que vivem em comunidades isoladas. A pequena tecnologia é capaz de purificar a água ao mesmo tempo em que gera energia.

A invenção foi apelidada de H2prO e tem como base apenas dois agentes principais: dióxido de titânio e luz. Ao entrar em contato com a luz, o titânio absorve a energia ultravioleta e gera radicais que auxiliam o processo de oxidação de compostos orgânicos, que se decompõem para produzir CO2 e H2O.

Os testes que usam o titânio para separar poluentes da água foram feitos pela primeira vez pelo japonês Akira Fujishima e serviram de inspiração para Cynthia em seu experimento. Para tornar o sistema efetivo, a jovem precisou testas diferentes combinações, com a adição de um agente de oxidação, como metanol, gliverol e EDTA, que atuam como excelentes redutores. Essa mistura eleva a produção de hidrogênio, usado como combustível, e tornam a decomposição mais eficaz.

O dispositivo é pequeno e composto por duas partes. A unidade superior é usada para a purificação da água, enquanto a divisão inferior serve para a geração de hidrogênio, conectada a uma célula de combustível e à unidade base para a filtração da água.


Fotos: Divulgação

Os testes feitos mostraram que o H2prO tem eficiência de 90% na remoção dos poluentes orgânicos, finalizando o processo em até duas horas. No entanto, em relação à produção de energia, o sistema ainda é instável, mesmo que a produção de hidrogênio fotocatalítico tenha sido satisfatória.

A jovem inventora é uma das finalistas do concurso de ciência do Google e, em sua apresentação, ela garante que continuará trabalhando para tornar o sistema ainda mais eficiente. 

Clique aqui para saber todos os detalhes deste sistema. 



FONTE:  CicloVivo

quinta-feira, março 5

Estudantes brasileiros constroem casa de garrafa PET






Uma casa ecologicamente correta, que oferece maior conforto térmico e ainda é mais barata que uma construção tradicional em alvenaria. Esse foi o projeto CASA PET, que rendeu a conquista do 5º Prêmio Instituto 3M para Estudantes Universitários 2013 para uma equipe dez alunos da FATEC de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

A ideia, nascida em 2012, começou a ganhar forma quando o grupo de estudantes – monitorados por três professores – se inscreveu e venceu em 2013 a quinta edição do concurso com o projeto da CASA PET. “Fomos premiados e, com isso, ganhamos R$ 30 mil para transformar a proposta em realidade no prazo de um ano. Sem dúvida, um desafio ainda maior”, conta a estudante Adriana Roberta Mendonça.

Com o troféu na mão e o dinheiro na conta, a equipe colocou a mão na massa. Em outubro de 2013, os alunos iniciaram a construção de uma casa de 24m² – incluindo uma sacada – no campus da FATEC de Presidente Prudente, com o uso de 4 mil garrafas PET preenchidas com areia lavada e solo cimento (uma mistura de terra com 10% de cimento), que substituíram os tijolos desde as fundações até o teto. A estrutura da edificação, como as colunas de sustentação, é a mesma de uma residência de alvenaria. “Da maneira como foi feita, a obra fica tão resistente quanto as casas comuns”, explica a professora Camila Pires Cremasco Gabriel, da UNESP de Tupã, uma das coordenadoras do projeto.


Foto: Divulgação/3M

Além da reciclagem das embalagens PET, outro grande benefício do projeto implementado pelos alunos da FATEC é a economia. Enquanto uma obra com as mesmas medidas erguida com tijolos gasta 10 sacos de cimento, a CASA PET só precisa de quatro. Contabilizando a mão de obra, material e acabamento (pintura, instalações elétrica e hidráulica) o custo foi de R$ 15 mil, ou seja, 30% a menos do que seria gasto em um projeto igual com uso dos materiais tradicionais.

“O projeto CASA PET é de fundamental importância, pois prova que uma construção ecologicamente correta feita de embalagens PET é uma alternativa econômica viável e que pode ser utilizada por pessoas de baixa renda”, avalia Camila.


Fotos: Divulgação/3M

As vantagens não param ai. Além da economia, a estimativa é que os cômodos que substituem tijolos por garrafas PET sejam 20% mais frescos. Isso porque as paredes são bem mais espessas: 35 cm de largura, enquanto as convencionais têm, em média, 13 cm. “Com a obra concluída e entregue, o grupo de estudantes começa agora a fase de medições de temperatura dentro da residência, com o objetivo de comprovar esta tese. Esse trabalho deverá ser concluído no segundo semestre de 2015”, completa Camila.

Desde sua criação, o Prêmio Instituto 3M para Estudantes Universitários já ajudou a tirar do papel várias ideias inovadoras. Uma delas, por exemplo, é o Projeto Bambu, desenvolvido por alunos da UNESP de Bauru, com o objetivo de capacitar agricultores da cadeia produtiva do bambu a gerarem renda por meio da produção de artesanato. A 6º edição do concurso ocorrerá no primeiro semestre de 2015 para estudantes universitários de todo o país.



FONTE: Adnews

quarta-feira, março 4

Energia Inteligente

Com a pressão do consumo global de energia aumentando de ano para ano, cientistas e engenheiros estão, cada vez mais, à procura de maneiras criativas e inovadoras para combater a tendência crescente. Com foco no acesso à energia, confiabilidade e geração de energia alternativa, energia inteligente é uma área em que o mundo realmente exige a nossa maior atenção.
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O que você acha: no futuro, quais serão as principais fontes de energia onde você mora? De acordo com a maioria das principais organizações, a maior parte, com certeza, será proveniente de recursos renováveis. Por exemplo, a quota global de geração de energia renovável está projetada para aumentar até 40% de 2012 a 2018, de acordo com o Medium-Term Renewable Energy Market Report 2013 (MTRMR), da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). Os materiais renováveis constituirão quase um quarto da geração de energia bruta mundial até 2018, ante uma estimativa de 20% em 2011. A maior parte ainda virá da água. Prevê-se  que a participação de fontes não-hídricas, como a eólica, a solar, a bioenergia e a geotérmica na geração total de energia chegue a 8% até 2018.
Mas há problemas! Em grande medida, a energia renovável não é competitiva no momento sem os subsídios. A longo prazo, essas energias só podem se tornar parte importante do nosso mix energético se competirem em termos de custo e de segurança do abastecimento. Serão necessários especialistas de muitas áreas para fazer isso acontecer. A química pode desempenhar um papel importante. Por exemplo, soluções inovadoras, como estabilizadores UV, de calor e de luz ou novos sistemas de impressão, podem tornar mais eficiente  o uso de painéis solares, melhorar a produção de energia e aumentar a vida útil dos sistemas. A química também possibilitar que turbinas eólicas sejam fabricadas e instaladas de forma mais eficiente e também contribuir para que sua operação seja mais econômica.
Além disso, novas ideias visionárias são testadas em projetos-piloto inovadores mundo afora, como a tecnologia de captação de energia. A captação de energia explora a energia do ambiente através da geração de eletricidade a partir de fluxos de movimento, de pressão e de ar. Dois exemplos: em veículos híbridos, os freios são conectados a um gerador de energia; e placas de energia que possuem fibras piezoelétricas, presentes em calçadas, convertem o movimento dos pedestres em energia.
Um fator importante em cenários futuros de energia é o fator custo. Não só as inovações dentro do campo das energias renováveis​​, mas também o desenvolvimento de novos depósitos não convencionais de combustíveis fósseis com métodos inovadores de extração, os custos subsequentes de armazenamento e distribuição (link para o respectivo desafio) de energia, redução do consumo de energia (link para o respectivo desafio) e legislação local, terão um grande impacto sobre o desenvolvimento do setor das energias renováveis​​.
Fontes de energia renováveis ​​certamente terão importância crescente. Mas quais são os fatores que impulsionam e quais são os obstáculos para a utilização de mais energias renováveis? Em quais áreas específicas precisamos de mais pesquisas e inovações? Como isso tudo difere entre as regiões? Quais são suas experiências com energia proveniente de fontes renováveis? Junte-se à discussão online no Creator Space agora!

FONTE: creator-space.basf.com

segunda-feira, março 2

França tem rede de supermercados que vende produtos sem embalagem






Após ler a obra “Lixo Zero”, de Bea Johnson, a francesa Alice Bigorgne decidiu mudar muitas coisas em sua vida. Ela deixou seu emprego na área de marketing para trás e investiu seus esforços e dinheiro em um novo negócio: um mercado que comercializa produtos a granel e sem embalagens.

Apelidado de “Day by Day”, o comércio está localizado na França, e segue o mesmo modelo do “Original Unverpackt”, inaugurado no fim de 2014 na Alemanha. Em declaração ao jornal local, La Voix Du Nord, Alice explicou que a ideia não é realmente nova, mas traz de volta antigos hábitos. “Nós não inventamos nada. Nossos avós eram assim. Eles iam com um pote à mercearia”, garantiu a empreendedora.


A loja disponibiliza atualmente 450 produtos, que incluem: massas, arroz, frutas, especiarias, doces, entre outras coisas. Tudo é disponibilizado em prateleiras e o funcionamento é semelhante ao de um self-service, em que o cliente leva as suas próprias embalagens, escolhe os alimentos desejados e paga apenas pela quantidade que precisar.


Além de reduzir a quantidade de resíduos desperdiçados constantemente, a empresária garante que os clientes ainda têm outro benefício, bastante atrativo: o preço. Quem decide fazer compras no “Day by Day” pode pagar até 40% menos pelo mesmo tipo de produto comercializado em outros mercados tradicionais, tendo uma qualidade igual ou até superior, já que tudo é fresco e selecionado individualmente. A justificativa para isso é o fato das embalagens representarem até 20% do valor final de um produto.


O modelo de negócios ainda evita o próprio de desperdício de alimentos, pois permite a compra da quantidade exata que o cliente necessita. Alice explica que não existe quantidade mínima ou máxima para a venda. “Se você precisar de uma colher de chá ou dois paus de canela, eu vou vender”, diz.


O “Day by Day” foi lançado em 2013 e é considerada a primeira rede de supermercados a granel da França, com quatro lojas já inauguradas no país.




FONTE: CicloVivo

quarta-feira, fevereiro 25

Bateria de alta capacidade pode promover independência energética individual






Uma bateria desenvolvida pela Tesla, montadora norte-americana, promete revolucionar a produção doméstica de energia limpa. O modelo possui alta capacidade e permite o armazenamento de grande quantidade de energia, possibilitando às residências se tornarem independentes das redes de transmissão.

A novidade tem sido muito esperada, principalmente, nos Estados Unidos, devido à popularização das placas fotovoltaicas. Com os baixos preços, a produção de energia solar para uso individual tem crescido em ritmo acelerado. Em 2014, o setor foi o que mais gerou empregos em todo o país.

De acordo com o chefe executivo da empresa, Elon Musk, em declaração ao jornal The Washington Post, a bateria será revelada ao público dentro de um ou dois meses e a produção em larga escala está a, aproximadamente, seis meses de distância.

Mesmo que os custos ainda não tenham sido informados, a expectativa é de que a opção seja muito mais barata do que os tradicionais sistemas de geradores, que custam, em média US$ 20 mil. A utilidade do sistema seria bastante semelhante, mas ao invés de armazenar energia proveniente de gás ou outras fontes não renováveis, o abastecimento seria feito apenas com energia limpa.

A bateria também oferece mais liberdade aos consumidores. Produzir energia solar no telhado de sua própria casa e ter como armazenar o excedente para o uso posterior, permitirá que as residências sejam desconectadas das linhas de transmissão e funcionem como pequenas usinas elétricas individuais.



FONTE: CicloVivo

quinta-feira, fevereiro 19

Marco conceitual do IPBES é publicado

Nas raízes mais profundas da crise ambiental que ameaça a biodiversidade da Terra estão as ações antrópicas. Natural, portanto, que as instituições humanas e os sistemas de governança ocupem um lugar central na busca por soluções.

Partindo dessa premissa, os membros da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) – entidade internacional criada em 2012 com a função de sistematizar o conhecimento científico acumulado sobre biodiversidade para subsidiar decisões políticas em âmbito internacional – elaboraram o marco conceitual que deverá orientar todos os trabalhos do grupo nos próximos anos.
O documento, aprovado em reunião realizada na cidade de Antália (Turquia) no fim de 2013, foi divulgado este mês para a comunidade científica em artigos nas revistas PLoS Biology e Current Opinion in Environmental Sustainability.
“O IPBES divulgará em breve uma série de relatórios sobre o status da biodiversidade no planeta. É um trabalho altamente interdisciplinar, envolvendo biólogos, sociólogos, economistas, povos indígenas e outras comunidades tradicionais, além de decisores políticos. O marco conceitual busca estabelecer uma linguagem comum para que todos possam se entender e os trabalhos possam ser comparados”, explicou Sandra Díaz, professora da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, e membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MEP, na sigla em inglês) do IPBES.
Ao lado do etíope Sebsebe Demissew, da Addis Ababa University, Díaz coordenou ao longo de mais de dois anos o processo de elaboração do marco conceitual. Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), co-chair do MEP e coordenador do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA), é coautor dos dois artigos.
O trabalho contou com a colaboração de centenas de especialistas e levou em consideração não apenas a linguagem científica consolidada (termos como "biodiversidade", "ecossistemas" e "evolução"), como também a linguagem dos povos tradicionais e andinos ("mãe terra", "sistemas de vida" e "vivendo em harmonia com a mãe terra") e a linguagem transcultural consolidada na interface entre ciência e política dos acordos internacionais (com termos como "qualidade de vida" e "benefícios da natureza para as pessoas").
O modelo resultante, explicou Díaz, busca traduzir as interações entre a humanidade e o mundo natural por meio de seis elementos: “natureza” (todo o mundo natural com ênfase na biodiversidade e ecossistemas), “benefícios da natureza às pessoas” (inclui valores espirituais, religiosos, culturais, comerciais), “ativos antropogênicos” (conhecimento, tecnologia, recursos financeiros, infraestrutura), “fatores indiretos de mudança” (como sistemas de governança e legislação), “fatores diretos de mudança” (alteração de habitat, mudança climática) e “boa qualidade de vida” (acesso a água, comida, saúde, educação, segurança, identidade cultural, prosperidade material, satisfação espiritual e liberdade de escolha).
“É um modelo muito simples do mundo, compreensível para pessoas de todas as áreas. Poderíamos ter feito algo muito mais sofisticado, não só pelas palavras como também pelas conexões e conceitos adotados. Mas ficaria ininteligível para os indígenas, por exemplo”, disse Díaz
No centro do modelo estão os ativos antropogênicos, as instituições humanas, os sistemas de governança e outros fatores indiretos de mudança – considerados pelos cientistas do IPBES peças-chave na proteção e manejo adequado da biodiversidade e dos ecossistemas
“A raiz dos problemas e também das soluções é fundamentalmente social. Nunca vamos solucionar nada se mirarmos nas causas diretas das alterações nos ecossistemas, como o desmatamento. Temos de mirar nos fatores que estão impulsionando esse desmatamento. Atacar os fatores diretos é como dar uma aspirina a um doente em estado grave”, avaliou Díaz.
No artigo publicado na PLoS Biology, os cientistas do IPBES comparam o marco conceitual da entidade à Pedra de Roseta (fragmento de rocha cujas inscrições bilíngues foram cruciais para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios) “por destacar pontos comuns de diversos conjuntos de valores e por facilitar a compreensão transdisciplinar e transcultural” dos benefícios que a natureza oferece às pessoas, contribuindo para a crescente tendência de interdisciplinaridade na compreensão e gestão do meio ambiente.
“Esse artigo, de apenas oito páginas, tem o objetivo de alertar a comunidade científica de que o documento está pronto e apresentar suas principais características”, contou Díaz.
Já o artigo publicado na Current Opinion in Environmental Sustainability é mais longo, faz a descrição detalhada de todos os elementos, sua fundamentação teórica e filosófica.
“Também apresenta exemplos que podem auxiliar pessoas de dentro ou de fora do IPBES a aplicar esses conceitos em uma avaliação profissional ou em um trabalho acadêmico”, contou Díaz.
Diagnósticos regionais da biodiversidade
Entre os dias 12 e 17 de janeiro, o coordenador do programa BIOTA-FAPESP participou da terceira reunião plenária do IPBES, realizada na cidade de Bonn, na Alemanha. Representando o governo brasileiro estavam os diplomatas Clarissa Souza Della Nina, chefe da delegação e chefe da Divisão do Meio Ambiente (DEMA) do Ministério das Relações Exteriores, e o 3º secretário Davi de Oliveira Paiva Bonavides, também do DEMA. A delegação também contou com Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade (DCBIO) do Ministério do Meio Ambiente.
Na ocasião, foi aprovado o Termo de Referência para o início de quatro diagnósticos regionais sobre o estado atual da biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Os relatórios deverão ficar prontos no final de 2017 e serão a base para o primeiro diagnóstico global, previsto para 2019.
“Do ponto de vista da biodiversidade, a divisão do mundo em cinco regiões geopolíticas adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) não tem nenhum sentido. Então, para a realização dos diagnósticos regionais, dividimos o mundo em quatro regiões biogeográficas: Américas, Oceania, Pacífico e Europa Central”, contou Joly.
A região das Américas, por sua vez, foi dividida em outras quatro sub-regiões: América do Norte, Mesoamérica, Caribe e América do Sul, na qual o Brasil está inserido.
O Termo de Referência, explicou Joly, estabelece todos os elementos que deverão ser abordados nos relatórios, inclusive indicadores e métricas.
Também foram aprovados o Termo de Referência para o Diagnóstico Global sobre Degradação e Restauração da Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, previsto para 2017; a Política de Informática para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos do IPBES; a Estratégia de Comunicação e Engajamento com Stakeholders; e o orçamento da plataforma para os anos de 2015 e 2016, com recursos alocados para cada uma das atividades do Programa de Trabalho.
Por último, foi aprovada a Estratégia de Capacitação Profissional em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, que contará com um programa-piloto de bolsas e de intercâmbios de especialistas entre países, bem como um mecanismo de aproximação entre possíveis doadores de recursos, infraestrutura ou capacidade técnica.
“Os doadores podem ser agências da ONU, como Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação); entidades multilaterais, como o Global Environmental Facility (GEF); organizações não governamentais, como International Union for Conservation of Nature (IUCN) e World Wide Fund for Nature (WWF); fundações, como The Bill & Melinda Gates Foundation, Mellon, McArthur; empresas; bancos e outros”, explicou Joly.
A estratégia de capacitação aprovada é fruto das discussões realizadas em São Paulo, em setembro de 2014 (leia mais em:http://agencia.fapesp.br/painel_intergovernamental_discute_capacitacao_para_pesquisas_em_biodiversidade/19840/).
“O grande desafio agora é conseguir deslanchar os diagnósticos regionais e, ao mesmo tempo, estabelecer até o fim de 2015 o Termo de Referência para o diagnóstico global, para que possa ser aprovado na próxima reunião plenária, no início de 2016”, contou Joly.
“No Brasil, não temos estrutura para fazer o diagnóstico em nível nacional. Vamos ter de montá-la ao mesmo tempo em que estiver sendo organizada a estrutura para América do Sul e já conectá-la com América Central, Caribe e América do Norte. É um encadeamento de coisas que deverá ser nosso foco central de atividades ao longo de 2015”, comentou Joly. 


FONTE: FAPESP

terça-feira, janeiro 20

Casa sustentável mescla técnicas tradicionais a novas tecnologias






A Soleta ZeroEnergy é uma residência sustentável e tecnológica construída na Romênia. O modelo, desenvolvido pela Fundação Capra Justin para Invenção e Tecnologias Sustentáveis, mostra que é possível mesclar técnicas antigas e novas para reduzir o impacto ambiental de uma construção.

“Acreditamos que as coisas são muito mais simples. Existem soluções tradicionais para quase todos os ‘problemas’ de nossas casas, precisamos apenas reinventá-las nas condições atuais”, diz o site do projeto. A Soleta é uma residência pensada para reduzir ao máximo o consumo de energia, ao mesmo tempo em que é abastecida, na maior parte, por fontes renováveis.

Para alcançar este objetivo, os arquitetos contaram com sistemas de monitoramento energético, que controlam automaticamente o consumo e podem ser gerenciados por smartphones. Além disso, a casa é equipada com placas fotovoltaicas e coletores solares, que aproveitam a energia do sol para produzir eletricidade e aquecer a água.


Foto: Divulgação

Em termos de eficiência energética, a casa ainda conta com sistema de recuperação de calor. A iluminação da casa é feita com lâmpadas de LED e em um formato inteligente, com monitores de presença, que evitam o desperdício.


Foto: Divulgação

Outro diferencial da estrutura é o fato de não possui paredes externas. O próprio telhado cobre toda a casa e se estende até o chão. Segundo o site do projeto, este formato aumenta a iluminação natural, otimiza a proteção contra o vento e barateia a obra.


Foto: Divulgação

A madeira foi um dos principais materiais usados na construção, que também conta com muito vidro, para valorizar a iluminação natural. A matéria-prima foi, em sua maioria, obtida localmente e o projeto foi pensado para ter custos reduzidos.


Foto: Divulgação


A gestão adequada da água também é fator importante nesta residência. A Soleta conta com um sistema de captação da água da chuva e tratamento, para que o recurso seja reaproveitado na estrutura da casa, evitando desperdício e gastos constantes. Além de todas essas soluções, a casa ainda pode ser facilmente ampliada sem que grandes mudanças em sua estrutura sejam feitas.



FONTE:  CicloVivo 

quinta-feira, janeiro 15

Baterias descartadas de laptops podem ser usadas para iluminar casas




Não é pequena a quantidade de baterias de laptops descartadas anualmente: são cerca de 50 milhões de unidades, que não têm um destino muito claro depois que deixam as casas de seus usuários. Mas os pesquisadores IBM tem uma proposta interessante: usá-las para iluminar residências em países subdesenvolvidos.


De acordo com o resultado do estudo, realizado na Índia, pelo menos 70% das baterias descartadas ainda tem capacidade suficiente para alimentar uma lâmpada de LED durante quatro horas por dia durante um ano inteiro.



A ideia empolga bastante os pesquisadores, já que os custos seriam bem inferiores ao uso de paineis solares com baterias recarregáveis. “O componente mais caro para estes sistemas normalmente é a bateria. Neste caso, a parte mais cara está vindo do lixo”, diz Vikas Chandan, cientista no Smarter Energy Group, que liderou o projeto.



O trabalho foi feito com a RadioStudio, uma empresa de pesquisas em hardware. Eles removeram e testaram individualmente as células internas das baterias descartadas para selecionar as que ainda poderiam ser utilizadas. Elas foram recombinadas, ajustads e entregues para testes para cinco pessoas que viviam em favelas de Bangalore. Três meses depois, as respostas foram positivas, mas a solicitação mais comum foram cabos resistentes a ratos e lâmpadas mais brilhantes. O plano já está sendo revisado.



A IBM diz não ter planos de transformar a proposta em um negócio, e que a tecnologia deve ser oferecida gratuitamente para os países pobres.





quarta-feira, janeiro 7

ONU apresenta proposta para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2015





O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, apresentou, na última quinta-feira (4), aos 193 Estados-membros da Assembleia Geral, uma síntese do relatório O caminho para a dignidade até 2030: acabando com a pobreza, transformando todas as vidas e protegendo o planeta, sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015.

O documento final será apresentado no dia 31 de dezembro e deve guiar as negociações dos países-membros para construção de uma nova agenda global centrada nas pessoas e no planeta, baseada nos direitos humanos, que será aprovada em 2015.

Sobre o relatório, Ban disse que “nunca antes uma consulta tão ampla e profunda tinha sido feita sobre a questão do desenvolvimento”. Ele lembrou que o documento vem sendo elaborado há dois anos, desde a Conferência Rio+20 e conta com a colaboração dos governos, de todo o Sistema da ONU, de especialistas, da sociedade civil e de empresários.

O secretário-geral agradeceu o projeto do grupo de trabalho que apresentou os 17 ODS com 169 alvos de atuação. Para ele, o resultado expressa o desejo dos países de ter uma agenda que possa acabar com a pobreza, alcançar a paz e a prosperidade e proteger o planeta.

“Em 2015, anunciaremos medidas de longo alcance sem precedentes que vão assegurar o nosso bem-estar futuro”, disse Ban Ki-moon, ao falar sobre a nova agenda global que irá suceder os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que visam a reduzir a pobreza extrema e a fome, promover a educação, especialmente para as meninas, combater doenças e proteger o meio ambiente, cujo prazo expira em 2015.

Ele também pediu aos países para serem inovadores, inclusivos, ágeis e determinados nas negociações, e reforçou a “responsabilidade histórica” para entregar uma agenda transformadora.

“Estamos no limiar do ano mais importante para o desenvolvimento desde a fundação da própria ONU. Temos que dar sentido à promessa desta organização que reafirma a fé na dignidade e no valor da pessoa humana e dar ao mundo um futuro sustentável”, disse Ban. “Temos uma oportunidade histórica e o dever de agir de forma corajosa, enérgica e rápida”.

Ele afirmou que a agenda pós-2015 deve ser construída tendo como base a cooperação global e a solidariedade, pedindo que as metas levem em consideração as diferentes realidades das nações e os níveis de desenvolvimento de cada uma e respeitar políticas nacionais.

O chefe da ONU disse que em julho de 2015, em Adis-Abeba, na Etiópia, os países devem formar uma nova parceria global. Em setembro do próximo ano, em Nova York, a comunidade internacional deve chegar a um acordo sobre os ODS e, em dezembro, em Paris, as autoridades devem chegar a consenso nas negociações sobre o clima.




FONTE: CicloVivo

quinta-feira, dezembro 11

12 passos para começar uma horta comunitária




A popularidade das hortas comunitárias só cresce a cada dia. O CicloVivo já noticiou diversos exemplos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Se você deseja iniciar um desses projetos em seu bairro ou cidade, mas ainda não sabe como começar, nós separamos os 12 primeiros passos para tirar a ideia do papel e torna-la realidade. 

As dicas foram publicadas no site TreeHugger e dadas por Elizabeth Johnson, uma canadense que transformou uma área industrial de Ontário em uma famosa horta que conta com a participação de 15 famílias.

1. Comece a falar sobre uma horta comunitária
Antes de plantar a semente, plante a ideia. Converse com pessoas de sua comunidade e fale sobre os benefícios e todas as vantagens que uma horta comunitária pode trazer. Deixe que eles percebam a sua vontade em fazer acontecer e sejam contagiados por isso.

2. Encontre o espaço ideal
Em grandes cidades as áreas livres estão cada vez mais escassas. Mas, se for possível analise as opções e escolha a melhor. O terreno ideal é plano e ensolarado. O solo não precisa ser perfeito, pois ele pode ser substituído por terra nova sem a necessidade de grandes alterações ou investimentos.

3. Pesquise se existe algum tipo de subsídio na sua região
Algumas prefeituras disponibilizam sementes, ferramentas e até instrutores para ensinarem as primeiras técnicas. Existem também ONGs e coletivos que ajudam os novos agricultores. Pesquise e aproveite os benefícios que essas trocas podem gerar.

4. Tenha camas individuais
Dessa forma, cada família ou pessoa é responsável por seu próprio cultivo. No entanto, deixe as sementes e as áreas de plantio de ervas disponíveis para todos os participantes.

5. Inicie um sistema de compostagem
Um sistema simples é a composteira caseira ou minhocário. Ela pode ser feita pelos próprios participantes. O adubo produzido por este sistema é usado na plantação e substitui os fertilizantes industriais. Clique aquie saiba como fabricar o seu próprio minhocário.

6. Dê liberdade aos participantes
Cada pessoa pode escolher o que será plantado no seu espaço. Além disso, é legal incentivar os participantes a criarem suas próprias mudas para que possam trocar uns com os outros e ter mais variedade no plantio.

7. Faça uma cerca
A restrição não deve ser feita para impedir a entrada da comunidade, visitantes ou tornar a horta um espaço segregado. A cerca é uma opção apenas para manter animais domésticos, como cães e gatos, longe do plantio. Essa medida deve preservar a plantação e evitar estragos no solo.

8. Tenha regras
Em hortas comunitárias é ideal ter um planejamento. Escalas que determinam dias e horários dos responsáveis pela rega das plantas, por exemplo, é algo essencial. Isso evita que o local receba água de mais ou de menos. Mutirões de plantio e limpeza também são sempre bem-vindos.

9. Pode ser necessário a criação de um conselho informal
Em alguns casos é necessário que haja uma liderança que ajude a manter a horta sob-controle e esteja apto e disposto a resolver atritos, receber sugestões e criar novas soluções para elevar a qualidade da horta urbana.

10. Convide pessoas experientes para conversar com a comunidade
Receber bons conselhos e trocar experiências é essencial para manter o grupo unido e melhorar o plantio. Além disso, a participação de palestrantes tente a incentivar ainda mais a comunidade.

11. Torne o seu espaço atraente
Isso também inspira muito a comunidade e atrai novos participantes. Afinal, quem não gosta de estar um local agradável?

12. Compartilhar refeições comunitárias no jardim
Este é um jeito especial de comemorar a colheita, os árduos meses de trabalho. Além disso, é sempre gostoso dividir uma refeição com a família e os amigos.



FONTE: CicloVivo

terça-feira, dezembro 9

Empresas europeias suspendem negociações com serraria brasileira





Após recente investigação do Greenpeace, que instalou rastreadores em caminhões para monitorar a rotina de carregamento e transporte de madeira ilegal no Pará, empresas holandesas, francesas, suecas e belgas estão revendo os contratos firmados com a brasileira Rainbow Trading.

As holandesas Stiho e LTL Woodproucts anunciaram a suspensão da compra de madeira da Rainbow Trading. Já na França, a companhia Rougier Sylvaco também confirmou que está suspendendo a comercialização com a Rainbow Trading enquanto investigam. Na Suécia, a empresa "Interwood”, importadora que negocia madeira com o Brasil, declarou que não vai mais comprar madeira da Rainbow e que vai suspender a importação de Ipê da Amazônia, já que não consegue verificar a legalidade do produto.

A Rainbow Trading teve seis containers bloqueados pelas autoridades belgas. Sua madeira está impedida de entrar no mercado até que as autoridades competentes investiguem a fundo esses carregamentos. As empresas que compraram madeira das serrarias denunciadas deverão responder de acordo com a EUTR (European Union Timber Regulation), legislação que proíbe a importação de madeira ilegal para o mercado europeu e obriga as empresas a se prevenirem quanto ao risco de importar essa madeira.

O Greenpeace tem pressionado as autoridades europeias (veja aqui a denúncia) para que apliquem a EUTR e já havia alertado as empresas sobre os riscos de ilegalidade da madeira da Rainbow, antes da chegada de três carregamentos entregues na Bélgica no início de outubro e novembro.

A Rainbow Trading acumula quase meio milhão de reais em multas junto aos órgãos ambientais. Durante operação deflagrada pela Sema (Secretaria do Meio Ambiente do Pará), no início de novembro, a empresa recebeu mais quatro multas: duas por vender centenas de metros cúbicos de madeira ilegal, uma por lavar madeira, ou seja, vender madeira com créditos falsos ou fraudulentos, e outra por inserir informação falsa no sistema eletrônico de controle de produtos florestais do Pará – o Sisflora.

Além disso, a Rainbow recebeu madeira contaminada da serraria Odani, que também foi flagrada receptando o produto ilegal. Esta última também foi fiscalizada e multada pela Sema, tornando evidente que essas serrarias operam com irregularidades e não conseguem atestar, de fato, a origem legal da madeira que comercializam.

Além de ambas as empresas estarem bloqueadas no Sisflora, elas estão também bloqueadas no sistema DOF (Documento de Origem Florestal) - sistema eletrônico de controle federal, e assim permanecerão enquanto a operação estadual continuar. Isso significa que, por ora, essas empresas estão impossibilitadas de realizar qualquer tipo de transação comercial de madeira, pelo menos até que as investigações sejam finalizadas.

Na última sexta-feira (28), o Ministério Público Federal do Pará, o Ibama, a Sema, a associação dos engenheiros florestais do Pará (APEF), alguns representantes do setor produtivo via suas associações (Aimex - Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará; Unifloresta – Associação da cadeia produtiva Florestal da Amazônia), entre outras entidades, confirmaram os graves  problemas do setor, já que firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que busca a melhoria da atividade madeireira no estado.

Este acordo já vinha sido discutido, mas sua assinatura só aconteceu após uma investigação do Ministério Público Federal no Pará que teve início em 2013. Essa investigação levou ao lançamento de diversas ações civis públicas contra o Ibama e a Sema, entre outros atores, expondo as falhas do sistema. O recente acordo, limitado ao estado do Pará, não implica na revisão imediata de planos de manejo florestal existentes e do sistema com um todo. Embora inclua medidas positivas, o termo não resolve a maioria dos problemas apontados pelo Greenpeace.

“Ao interromper a compra de madeira da Amazônia, os mercados mandam uma mensagem muito clara de que toda a cadeia está contaminada já que o risco da ilegalidade é alto demais. O governo federal precisa se juntar aos esforços da Sema e dos mercados e dar o primeiro passo na solução do problema, liderando imediatamente a revisão de todos os planos de manejo aprovados desde 2006 e realizar uma reforma robusta no sistema de controle”, finaliza Minami.




FONTE: CicloVivo